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Rio tem 10 mil mortos em confrontos com a polícia desde 98

9 nov 2009
09h38
atualizado às 09h59
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O número de mortos em autos de resistência, desde que esse tipo de morte começou a ser registrada oficialmente, passou de 10 mil no Estado do Rio de Janeiro. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que, de janeiro de 1998 a setembro deste ano, policiais civis e militares mataram 10.216 pessoas, média de 2,4 mortos por dia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

Segundo o jornal, o registro policial de "resistência com morte do opositor - auto de resistência" foi criado durante a ditadura, mas só começou a ser divulgado no último ano do governo Marcello Alencar (PSDB). No início da gestão, em 1995, Alencar criou uma graticação em dinheiro para policiais por atos de "bravura", o que teria estimulado as mortes, segundo afirma o estudo Letalidade da Ação Policial no Rio, do Instituto de Estudos da Religião (Iser), ao Estado . A gratificação foi suspensa em 1998, época da divulgação da pesquisa.

A reportagem diz que o número de mortos em ações de policiais na cidade do Rio de Janeiro passou de 16 para 32 por mês e o índice de letalidade passou de 1,7 para 3,5 mortos por ferido após a implantação da gratificação. A pesquisa compara dois períodos, de janeiro de 1993 a abril de 1995 (antes da gratificação) e de maio de 1995 a julho de 1996.

Ainda de acordo com o Estado , o estudo aponta que em 83% dos casos no segundo período não houve testemunha; cada vítima tinha em médio 4,3 perfurações, sendo que 61% apresentavam pelo menos um tiro na cabeça e 65% tinham recebido pelo menos um tiro pelas costas. Dos 301 inquéritos encontrados pelos pesquisadores, 295 foram arquivados sem julgamento.

O jornal afirma também que, apesar do fim da gratificação, policiais promovidos ou premiados continuam recebendo os benefícios. O advogado Luiz Paulo Viveiros de Castro, que representou 600 policiais na Justiça, afirmou à reportagem que cerca de 5 mil teriam sido gratificados, com aumentos de até 150% no salário.

O sociólogo Ignacio Cano, que hoje é vice-diretor do Laboratório de Análise da Violência, alem de ser professor da Universidade do Estado (Uerj) e responsável pela pesquisa, afirma que a gratificação criada no governo de Alencar teve impacto a longo prazo e "consolidou o confronto armado como política de segurança". Cano chama o número de 10 mil mortos por policiais de "radiografia da barbárie". "É um número superior ao de muitas guerras. São Paulo tem uma população maior, um contingente policial superior, e o número de mortes é muito inferior."

Ainda de acordo com o Estado , a série histórica da pesquisa indica que a média de mortos em alegados confrontos com a polícia foi de um por dia no último ano de Alencar para 3,3 por dia no governo de Sérgio Cabral (PMDB). Ainda na gestão do atual governador, em 2007, foram registrados o maior número absoluto (1.330) e a maior taxa por 100 mil habitantes (8,2).

O jornal afirma também que, ainda na gestão Cabral, entre abril e maio de 2008, o número de mortes praticadas por policiais chegou a 147 por mês. Em 2009, a média de mortes caiu em relação ao início do governo do peemedebista (2,9 por dia neste ano contra 3,6 em 2007).

Em nota, o governo afirmou ao jornal que a solução para a violência é de médio a longo prazo, com a atuação das Unidades de Policiamento Pacificadoras (UPPs), por exemplo. "Os autos refletem uma antiga realidade do Estado e há pelo menos sete anos são elevados. Temos facções usando fuzis, armas de alta letalidade, que enfrentam a legalidade custe o que custar, inclusive arriscando a vida. A polícia é obrigada a agir neste contexto", disse a secretaria à reportagem.

Terra

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