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Rio: preso vereador acusado de tentar matar chefe de polícia

13 abr 2011
07h53
atualizado às 14h13
Luís Bulcão Pinheiro
Direto do Rio de Janeiro

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) deu início na manhã desta quarta-feira à Operação Blecaute, para cumprir 14 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão contra acusados de fazer parte de um grupo de milicianos que atua em pelo menos 13 comunidades de Jacarepaguá, zona oeste do Rio. O vereador Luiz André Ferreira da Silva (PR), o Deco, já está sob custódia. Dos 14 mandados, 8 são ligados a milícia de Deco. O restante é contra outro grupo miliciano da Covanca, também da zona oeste.

"Não participo de milícia nenhuma. Pode puxar minha ficha, que do primeiro ao quarto ofício não tem nada", disse ao ser preso. Outras duas pessoas também estão sob custódia: o advogado Arilson Barreto das Neves, o Cabeça, e o miliciano Edilberto Gomes Alves, o Bequinho.

Deco e outros ex-militares e guardas municipais procurados são acusados de tentar matar a atual chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, quando ela ainda era delegada titular da 28ª DP (Campinho), e o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), que foi presidente da CPI das Milícias. O grupo atuaria em comunidades dos bairros de Praça Seca, Campinho, Tanque e Quintino.

Martha falou ao Terra sobre o atentado sofrido em 2007 após a missa de sétimo dia pelos alunos mortos na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo: "Não me intimidei, continuei investigando o caso. Depois, passei para outra delegacia, mas o processo de investigação prosseguiu." Ela contou que não sabia dos resultados dessa investigação, que resultou na operação de hoje.

A Secretaria de Segurança tentou desvincular qualquer ligação da operação deflagrada na manha de hoje com as ameaças sofridas pela atual chefe de polícia. De acordo com o coordenador da Gaeco, Claudio Varela, o grupo pode ter ligação com a milícia de Deco.

O Secretário de Segurança José Mariano Beltrame afirmou que as milícias daquela região sofreram um golpe, mas ele não acredita que tenham acabado. "Seria temerário fazer qualquer garantia de que a zona oeste esteja livre das milícias". Segundo as primeiras informações da secretaria, o movimento financeiro mensal do grupo de Deco é estimado em R$ 400 mil.

As investigações mostraram que o grupo chefiado pelo vereador é responsável por cometer o crime de formação de quadrilha armada e suspeitos de outros crimes, como homicídios, ocultação de cadáver, tortura, estupros, furto de sinal de televisão e internet, controle no fornecimento de gás, prestação irregular do serviço de transporte alternativo e exploração de máquinas caça-níquel, entre outros. Os milicianos também estariam tomando conta de terrenos da prefeitura, que estão sendo loteados e vendidos.

A operação está sendo realizada com apoio da Subsecretaria de Inteligência, da Subprocuradoria-Geral de Justiça e do Gaeco, do Ministério Público e da Corregedoria Geral Unificada. Cerca de 80 pessoas participam da ação. O trabalho policial foi concentrado nas comunidades de Chacrinha, Covanca, Mato Alto, São José Operário, Bateau Mouche e Ipase.

Luxo
Deco foi preso em sua casa no Pechincha, onde estava com a mulher e os três filhos. Ele residia num triplex, com cercas elétricas e câmeras de segurança. Na garagem do vereador, a polícia encontrou um Volkswagen New Beetle vermelho e um Mitsubishi Pajero cinza, que foi apreendido por estar em nome de terceiros. Dentro da residência, foram recolhidos computadores, pen-drives e documentos, além de um facão.

O delegado Alexandre Capote, titular da Draco, disse que a investigação durou dois anos e que Deco era investigado há seis meses. "A base de nossa investigação é a CPI das Milícias. Nosso trabalho apontou o Deco como o chefe da milícia na Praça Seca. Ele já tem vários registros na delegacia de Campinho", falou.

O delegado afirmou ainda que o grupo comandado por Deco desde 2004 movimentava aproximadamente R$ 400 mil por mês e tinha como características uma estrutura muito bem organizada e violenta. "Não temos dúvidas de que as investigações estão corretas, já que elas vieram do Disque-Denúncia, de depoimentos de vítimas, do Ministério Público e da Secretaria de Segurança Pública", disse.

Deco será acusado pelo crime de formação de quadrilha, mas o delegado acredita que os documentos encontrados na casa do vereador revelem a participação ou autoria de outros crimes.

Com Informações de O Dia.

Deco foi detido em sua casa pela Polícia Civil, acusado de chefiar milícias
Deco foi detido em sua casa pela Polícia Civil, acusado de chefiar milícias
Foto: Osvaldo Praddo / O Dia
Fonte: Terra

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