Polícia

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08 de abril de 2010 • 23h46

Rio: polícia investiga hipóteses para morte de filho de bicheiro

Policiais examinam veículos atingidos pelas explosões
Foto: Douglas Shineidr / Futura Press

A polícia investiga a hipótese de que o filho do bicheiro Rogério Andrade, Diogo, 17 anos, morreu, na tarde desta quinta-feira, porque estava conduzindo o carro de seu pai. O aparato, possivelmente uma granada, teria sido fixado no Toyota Corolla de Rogério. A possibilidade de uma granada ter sido acionado acidentalmente dentro do veículo também não foi rejeitada.

Andrade é um dos contraventores mais polêmicos da cidade. Ele ficou gravemente ferido no atentado. Um segurança da família, que ainda não foi identificado, também morreu.

O crime aconteceu na avenida das Américas, na altura do Grupamento de Bombeiros, no Recreio dos Bandeirantes. O corpo do jovem perdeu a perna e o braço esquerdos. O enterro está marcado para a manhã de sexta-feira, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

De acordo com os policiais, uma das hipóteses investigadas é de que bandidos em motocicletas teriam lançado o explosivo contra o carro de Rogério, que era escoltado por outro veículo, um Vectra, com quatro seguranças. Os dois carros ficaram completamente queimados. Outro motociclista que passava pelo local também ficou levemente ferido, mas, segundo a polícia, ele não teria nada a ver com o crime.

A perícia preliminar realizada no carro de Rogério concluiu que a explosão ocorreu de dentro para fora. Isso faz com que os investigadores não descartem a hipótese de o explosivo pertencer ao próprio Rogério, e ter sido acionado acidentalmente. Pessoas próximas ao bicheiro afirmam que ele passou a andar com granadas depois que sofreu o último atentado. Mas o advogado dele, Luis Carlos da Silva Neto, disse estar certo de que foi uma ação criminosa.

Investigadores da Polícia Civil também não descartam a possibilidade o crime ter sido encomendado pelo maior rival de Rogério Andrade, o contraventor Fernando Iggnácio, genro de Castor de Andrade. Os dois disputam o controle dos pontos de máquinas de caça-níqueis na zona oeste do Rio. Com a queda do movimento no jogo de bicho, Rogério teria decidido invadir a área de Fernando, dando início a uma guerra que já teria provocado a morte de pelo menos 60 pessoas.

A polícia também investiga os seguranças de Rogério, que estão foragidos.

Rogério está internado no hospital Barra D'Or, na Barra da Tijuca, onde passou por uma reconstituição da face e não corre risco de morrer.

Guerra do bicho
Assassinatos, atentados e destruição em série compõem o cenário da guerra promovido pelos dois mais importantes entre herdeiros do jogo do bicho carioca. No alvo da briga, o controle das máquinas de caça-níqueis na zona oeste do Rio.

Antes de morrer, o patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel, Castor de Andrade fez a seguinte divisão de seu espólio: o sobrinho Rogério da Costa Andrade e Silva cuidaria do jogo do bicho e Fernando de Miranda Iggnácio, o genro, ficaria com as máquinas caça-níqueis.

Contudo, após a queda do movimento no jogo de bicho, Rogério decidiu avançar sobre a área de Fernando Iggnácio, dando início a um confronto que até hoje não teve fim.

A briga começou após a morte de Paulo Roberto Andrade, filho do bicheiro Castor de Andrade, em 1998, cujo crime foi atribuído à Rogério. A disputa ficou mais violenta depois que ele e Fernando passaram a contar com a ajuda de policiais corruptos pelo controle do jogo eletrônico.

A guerra ganhou ares de velho oeste, em 2005, quando fotos de Rogério foram espalhados pela cidade. A resposta foi imediata: cartazes de Fernando Iggnácio também tomaram as ruas. Rogério Andrade acabou preso em 2006, pela Polícia Federal. Em junho de 2009, ele deixou Bangu 1, onde cumpriu pena no Complexo de Gericinó.

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