PUBLICIDADE

Rio: MC Dido é o 6º funkeiro preso por ligação com tráfico em 3 dias

16 dez 2010 10h54
| atualizado às 11h42
Publicidade

O cantor de funk Anderson Romualdo Paulino da Silva, o MC Dido, se entregou à polícia por volta das 8h desta quinta-feira, na sede Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Havia um mandado de prisão por formação de quadrilha e apologia ao tráfico de drogas contra o cantor.

Quatro outros MCs foram presos pela DRCI na quarta-feira, também sob acusação de apologia ao tráfico de drogas e de relação com traficantes que ocupavam o Complexo do Alemão. Os cantores Ticão e Frank foram localizados em casa, no bairro de Madureira, zona norte do Rio de Janeiro. Os MCs Smith e Max foram capturados horas depois.

De acordo com a delegada Helen Sardenberg, a investigação teve duração de um ano, e os presos responderão pelos crimes de formação de quadrilha, associação ao tráfico de drogas, incitação e apologia ao crime. Logo após a prisão, os irmãos entraram em contradição para explicar como são os bailes promovidos dentro das favelas.

"A gente canta isso, mas não é a nosso mando, não. Vai lá na favela dizer para os caras (traficantes) que a gente não quer cantar", disse Ticão. "A gente canta as músicas que sempre quis. Ninguém nos obriga a nada", disse Frank.

Em vídeo divulgado no Youtube, Frank e Ticão sugerem que Fabiano Atanázio da Silva, o FB, e Marcelo da Silva Soares, o Macarrão, supostos chefes do tráfico nos Complexos do Alemão e da Penha, estejam na Rocinha, comunidade controlada por Antônio Bonfim Lopes, o Nem, e uma facção rival. A Polícia Civil já descartou a possibilidade de uma trégua entre os grupos de bandidos e a presença deles na favela de São Conrado.

Em 2005, MC Frank já havia prestado depoimento sobre o crime de apologia a agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis. A investigação não se desenvolveu, e o cantor não foi preso. Autor de músicas como "O blindado não intimida" e "Vida bandida", Mc Smith é acusado de incentivar jovens de comunidades a ingressar na vida do crime. Max foi preso no Complexo do Alemão.

"Temos informações de que ele seja o responsável por incentivar jovens ao crime, e suas músicas são veiculadas nas rádios piratas dentros das comunidades dominadas", disse a delegada Helen Sardenberg.

MC Galo é preso em blitz no Leblon
Na terça-feira, policiais prenderam o cantor de funk Everaldo de Almeida da Silva, o MC Galo, de 35 anos, sob a acusação de associação com o tráfico, durante uma blitz no Leblon, zona sul do Rio. Ele também responde por receptação e era considerado foragido, já que tinha um mandado de prisão preventiva expedido pela 14ª Vara Criminal por porte de drogas.

MC Galo estava em uma motocicleta quando foi abordado por agentes na altura da rua Doutor Marques Canário, próximo à Cruzada São Sebastião. De acordo com a PM, o cantor foi reconhecido por meio de vídeos postados no YouTube. Nas imagens, MC Galo faz apologia a armas e demonstra ter relação com traficantes da Cruzada São Sebastião, que estariam escondidos na Rocinha.

Violência no Rio
O Complexo do Alemão está ocupado pelas forças de segurança desde o dia 28 de novembro. A tomada do local aconteceu praticamente sem resistência numa ação conjunta da Polícia Militar, Civil, Federal e Forças Armadas. A polícia investiga uma possível fuga de traficantes pela tubulação de esgoto do Alemão antes dos policiais subirem o morro. Na quinta, 25 de novembro, a polícia assumiu o comando da Vila Cruzeiro, na Penha. Ambos dominados, até então, pela facção criminosa Comando Vermelho. As ações foram uma resposta do Estado a uma série de ataques, que começou na tarde do dia 21 de novembro. Em uma semana, pelo menos 39 pessoas morreram e mais de 180 veículos foram incendiados por criminosos nas ruas do Rio de Janeiro.

Fonte: O Dia
Publicidade