Polícia

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13 de novembro de 2011 • 04h23 • atualizado às 08h25

Rio de Janeiro: ocupação da favela da Rocinha é iniciada

Policial aponta arma na entrada da favela da Rocinha nesta madrugada
Foto: Reinaldo Marques / Terra
Vagner Magalhães
Luís Bulcão
Direto do Rio de Janeiro

A favela da Rocinha começou a ser ocupada por volta das 4h10 da madrugada deste domingo pelas forças de segurança do Rio de Janeiro e por fuzileiros navais da Marinha. Os policiais avançam pelas principais vias de acesso da comunidade, enquanto os tanques do Exército e os anfíbios da Marinha se posicionam para a entrada.

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Nas primeiras horas da ocupação não foram ouvidos tiros. Os acessos estão cercados, inclusive com a presença de cães farejadores, que farão a busca de drogas. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, passou em revista aos veículos antes da saída deles dos batalhões da Polícia Militar.

Os primeiros veículos a chegar foram duas caminhonetes, às 3h03, com homens do Batalhão de Operações Especiais, o Bope, que subiram uma das principais ladeiras. Depois, aos poucos, foram chegando mais homens, os veículos de guerra e helicópteros.

Antes das 3h, os únicos dois taxistas que passaram pelo local tiveram os carros revistados. Um morador desceu a ladeira a pé e contou que, até então, estava tudo muito tranquilo. "Eu precisava realmente vir trabalhar", disse o homem, que não quis se identificar.

As vias que fazem ligação da zona sul a São Conrado e ao acesso da Gávea estão bloqueados desde as 2h30 pela polícia.

Os blindados da Polícia Militar tiveram dificuldade de acesso à favela. Em alguns pontos há barreiras físicas e os traficantes espalharam óleo pela rua, o que dificulta a subida. Motos abandonadas foram encontradas por policiais militares na entrada da favela.

A prisão de Nem
O chefe do tráfico da favela da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi preso pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar no início da madrugada de 10 de novembro. Um dos líderes mais importantes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), ele estava escondido no porta-malas de um carro parado em uma blitz por estar com a suspensão baixa, em uma das saídas da maior favela da América Latina -, que havia sido cercada por policiais na noite do dia 8 de novembro.

Desde o dia anterior, a polícia já investigava denúncias de um possível plano para retirar o traficante da Rocinha. Além de Nem, três homens estavam no carro. Um se identificou como cônsul do Congo, o outro como funcionário do cônsul, e um terceiro como advogado - a embaixada da República do Congo, entretanto, informou não ter consulados no Rio. Os PMs pediram para revistar o carro, mas o trio se negou, alegando imunidade diplomática. Os agentes decidiram, então, escoltar o veículo até a sede da Polícia Federal. No caminho, porém, os ocupantes pediram para parar o carro e ofereceram R$ 1 milhão para serem liberados. Neste momento, os PMs abriram o porta-malas e encontraram Nem, que se escondia com R$ 59,9 mil e 50,5 mil euros em dinheiro.

Nem estava no comando do tráfico da Rocinha e do Vidigal, em São Conrado, junto de João Rafael da Silva, o Joca, desde outubro de 2005, quando substituiu o traficante Bem-te-vi, que foi morto. Com 35 anos, dez de crime e cinco como o chefe das bocas de fumo mais rentáveis da cidade, ele tinha nove mandados de prisão por tráfico de drogas, homicídio e lavagem de dinheiro. Nem possuía um arsenal de pelo menos 150 fuzis, adquiridos por meio da venda de maconha, cocaína e ecstasy, sendo a última a única droga consumida por ele. Com isso, movimentaria cerca de R$ 3 milhões por mês, graças à existência de refinarias de cocaína dentro da favela.

Especial para Terra