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Repressão às drogas é 'sistema que não está funcionando', diz Beltrame

9 abr 2013
11h49
atualizado às 14h28
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O secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse nesta terça-feira, ao responder a uma pergunta sobre descriminalização de drogas, que "já está visto que a repressão é um sistema que não está funcionando". Beltrame fez a declaração durante uma palestra sobre os custos da insegurança pública no Fórum da Liberdade, que acontece em Porto Alegre.

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, concede entrevista no Fórum da Liberdade
O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, concede entrevista no Fórum da Liberdade
Foto: Divulgação

No entanto, Beltrame criticou a superficialidade da discussão, dizendo que independente da decisão a ser tomada sobre a descriminalização, legalização ou combate às drogas, o assunto deve ser amplamente discutido. "Temos que debater, é um tabu. Temos que cuidar com o foco politico que isso pode ter. Se tem que tomar atitude de descriminalizar, a questão fundamental é se o Estado vai referendar, porque este Estado tem obrigação de atender quem é doente e quem quer parar de usar drogas. E se fizer isso, tem que atender as pessoas no SUS?", disse.

Beltrame afirmou ainda que se a luta contra as drogas não for tratada de forma organizada e planejada, pode se tornar uma medida inócua por parte do Estado. "Tenho medo de que seja uma das várias leis que não tem fiscalização, nas quais não se tem controle  das consequências dessas medidas", afirmou.

Sobre números divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão ligado à Secretaria de Segurança Pública, na segunda-feira, de que assaltos a turistas aumentaram 66,5% nos meses de janeiro, nos últimos três anos, Beltrame contestou os dados, mas justificou que um aumento pode ter sido provocado pelo crescimento do turismo no Rio. “Pode ser que tenha aumentado, mas não nessa cifra. Mas há que se levar em consideração que nós pulamos de um patamar de 700 mil turistas, em 2007, para 2,2 milhões de turistas, em dezembro de 2012”. 

Ao falar sobre uma outra pesquisa, que apontou a polícia do Rio como a mais corrupta do País, Beltrame disse que essa polícia é a mesma que está “trazendo patamares de segurança nunca antes vistos na sua história”, além de ser da polícia fluminese ser a que mais expulsa e pune agentes de segurança que cometem crimes.

“A corrupção é um problema, mas é um problema nacional, não é um problema especifico da polícia do Rio de Janeiro (...) e sobretudo, temos que entender que o policial e qualquer servidor é fruto do seu meio. O policial do Rio de Janeiro é filho do Rio de Janeiro, o policial do Rio Grande do Sul, é filho do Rio Grande do Sul. Acho que a corrupção está muito ligada ao que você trás de casa, posso estar sendo um pouco romântico, mas acho que isso é fundamental, é da formação do caráter das pessoas“, afirmou o secretário pouco antes de dizer que uma “instituição que  não tem coragem, que não mostra para a sociedade a sua capacidade de cortar na própria pele, não vai adquirir nem aumentar sua legitimidade junto à população”.

Fonte: Terra
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