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Quadrilha é suspeita de fraudar cirurgia em hospital militar

8 mai 2010
20h32
atualizado às 20h35
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A Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou indícios de que a quadrilha responsável por fraudar neurocirurgias no Hospital Municipal Salgado Filho também atuava no Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG), na Ilha do Governador, e no Hospital Central do Exército (HCE), em Benfica.

No primeiro, a Ortoneuro, uma das empresas envolvidas no esquema, venceu, no fim de 2009, uma licitação no valor de R$ 110 milhões. Já a Extencion, que também é investigada pela polícia, tem R$ 43 milhões a receber do HCE após vencer concorrência realizada em meados do ano passado.

Os investigadores da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública descobriram ligações do empresário Jorge Figueiredo Novaes, apontado como controlador de ambas as empresas, com oficiais dessas duas unidades militares de saúde. Ele seria próximo a coronel-médico do HCE, com quem chegou a viajar para a Europa este ano. Um ex-diretor do HFAG com influência na unidade também seria grande amigo de Novaes.

"Tudo indica que as fraudes da quadrilha podem ser ainda maiores nesses hospitais militares", disse o delegado Fábio Cardoso, titular da especializada. Ele ainda descobriu outros possíveis elos de atuação do grupo. Os dois médicos indiciados também trabalharam nas duas unidades militares.

O neurocirurgião Carlos Henrique Ribeiro, chefe do setor no Salgado Filho, já fez parte da equipe do HFAG. Na época em que esteve lá, a Extencion chegou a ser beneficiada com dispensa de licitação no valor de R$ 10,5 mil. O médico Wagner Mariushi, por sua vez, prestou serviços para o HCE.

O Exército e a Aeronáutica informaram que acompanham as apurações da delegacia, mas já investigaram procedimentos realizados no HCE e no HFAG e não encontraram qualquer irregularidade.

Hospital Salgado Filho: 10 neurocirurgias fantasmas
A análise dos prontuários médicos do Hospital Municipal Salgado Filho revelou que a extensão das fraudes da quadrilha pode ser ainda maior. Até agora, os agentes da especializada já encontraram pelo menos 10 cirurgias "fantasmas" realizadas na unidade. São casos em que os médicos envolvidos no esquema registraram o uso de 12 espirais de aço para cirurgias de aneurisma cerebral, mas sequer realizaram a operação declarada.

A utilização do material em cada um desses procedimentos custa aos cofres públicos cerca de R$ 30 mil. Segundo a polícia, para não haver necessidade de licitação, a quantidade máxima de espirais permitida para compra é de 12 unidades por cirurgia, ao custo médio de R$ 6 mil cada.

Ao saber que havia sido "vítima" de uma dessas fraudes, o frentista Sérgio Domingos de Freitas Martins, 47 anos, ficou surpreso. Em abril de 2008, ele passou nove dias internado no Salgado Filho após sofrer acidente vascular cerebral (AVC).

"Constataram que eu tinha um aneurisma, mas não precisei ser operado porque ele não havia atingido o meu cérebro. Tenho certeza de que não fizeram essa cirurgia em mim. Nunca desconfiei de que pudessem ter usado o meu nome em uma fraude. Hoje em dia, a gente não pode mais confiar em ninguém", afirmou.

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Fonte: O Dia
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