Polícia

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11 de março de 2013 • 11h13 • atualizado às 11h16

Primeiro a depor, irmão de Mércia pede saída de Mizael do plenário

Ele era um sujeito ciumento e possessivo, disse Márcio Nakashima

Mizael aguarda o início de seu julgamento pela morte da ex-namorada Mércia
Foto: Fernando Borges / Terra

O irmão da advogada Mércia Nakashima, - morta aos 28 anos em 23 de maio de 2010 - Márcio Nakashima, é a primeira testemunha de acusação a ser ouvida durante o julgamento de Mizael Bispo de Souza, ex-namorado da vítima e acusado de ser o autor do crime, que começou nesta segunda-feira no Fórum de Guarulhos (Grande São Paulo). Uma das principais testemunhas do júri, Márcio pediu que Mizael fosse retirado do plenário para depor - o que é um direito da testemunha -, mas o policial reformado insistiu em ficar, alegando também ser advogado e ter o direito de atuar em sua defesa.

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Apesar do pedido oficial feito pelos advogados do réu, o juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano, presidente do júri, determinou que Mizael fosse retirado do plenário por considerar que ele, que possui três advogados em plenário, não teria seu direito de defesa prejudicado. Mizael deixou o local escoltado por quatro policiais militares, mas sem algemas. Tanto a família dele - pai e irmãos - quanto os pais da vítima assistem ao júri e, no momento em que o réu deixou a sala, a mãe de Mércia, Janete, ficou muito emocionada e começou a chorar. 

O advogado Samir Haddad Junior, que defende Mizael, ressaltou, no entanto, que o pedido para que Mizael assistisse ao depoimento não teve a intenção de "constranger" o irmão da vítima. "O doutor Mizael pediu pra ficar não por querer constranger o Márcio, era apenas para auxiliar nas perguntas. Não houve nenhuma intenção em constranger o Márcio, nem as testemunhas", disse Samir, se dirigindo ao juiz. 

Ciumento
Márcio começou a depor por volta das 10h50 desta segunda-feira. Além dele, outras 10 testemunhas serão ouvidas durante o julgamento, entre elas o delegado Antonio de Olim, responsável pelas investigações, além de peritos criminais. Em sua primeira fala, Márcio definiu Mizael como uma pessoa extremamente ciumenta e disse que ele se "transformou" dias antes do crime.

"Ele foi se transformando. Ele era um sujeito ciumento, possessivo, ficava cercando a Mércia, ligava várias vezes para a Mércia", afirmou o irmão da vítima. Segundo ele, o réu foi o único namorado sério que a irmã teve. "O Mizael foi o único namorado da vida da Mércia. Foi o primeiro e o único", disse. 

O caso Mércia
A advogada Mércia Nakashima, 28 anos, desapareceu no dia 23 de maio de 2010, após deixar a casa dos avós em Guarulhos (Grande São Paulo), e foi encontrada morta no dia 11 de junho, em uma represa em Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. A perícia apontou que ela levou um tiro no rosto, um tiro no braço esquerdo e outro na mão direita,  mas morreu por afogamento quando seu carro foi empurrado para a água.

O ex-namorado de Mércia, o policial militar reformado e advogado Mizael Bispo de Souza, 43 anos, foi apontado como principal suspeito pelo crime e denunciado por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. De acordo com a investigação, Mércia namorou durante cerca de quatro anos com Mizael, que não se conformava com o fim do relacionamento amoroso. A Promotoria também denunciou o vigia Evandro Bezerra Silva, que teria o ajudado a fugir do local, mas seu julgamento ocorrerá separadamente, em julho deste ano.

Preso em Sergipe dias depois da morte de Mércia, Evandro afirmou ter ajudado Mizael a fugir, mas alegou posteriormente que foi obrigado a confessar a participação no crime, sob tortura. Entretanto, rastreamento de chamadas telefônicas feito pela polícia com autorização da Justiça colocaram os dois na cena do crime, de acordo com as investigações. Outra prova que será usada pela promotoria é um laudo pericial de um sapato de Mizael, no qual foram encontrados vestígio de sangue, partículas ósseas, vestígios do projétil da arma de fogo e uma alga típica de áreas de represa.

Mizael teve sua prisão decretada pela Justiça em dezembro de 2010, mas se escondeu após considerar a prisão "arbitrária e injusta", ficando foragido por mais de um ano. Em fevereiro de 2012, porém, ele se entregou à Justiça de Guarulhos e, desde então, aguardava ao julgamento no Presídio Militar de Romão Gomes - enquanto o vigia permanece preso na Penitenciária de Tremembé. Mizael nega ter assassinado Mércia e disse, na ocasião, que a tratava como "uma rainha". Já o vigia afirmou, em depoimento, que não sabia das intenções do advogado e que apenas lhe deu uma carona. Se condenados, eles podem ficar presos por até 30 anos.

Terra