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25 de fevereiro de 2013 • 17h32 • atualizado às 17h34

PR: hospital pede afastamento de delegada que prendeu médicos

Segundo os advogados e o diretor técnico do hospital, houve desproporção na atuação da Polícia Civil
Foto: Roger Pereira / Especial para Terra
  • Direto de Curitiba
 

A Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba, mantenedora do Hospital Evangélico, que teve três médicos presos provisoriamente numa investigação sobre antecipação de óbitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Geral do hospital, ingressou, nesta segunda-feira, com representação pedindo o afastamento da delegada titular do Núcleo de Repressão a Crimes contra a Saúde (Nucrisa), Patrícia Brisola, por violação do segredo de Justiça do Inquérito Policial que resultou na prisão da médica intensivista Virginia Soares de Souza, no último dia 19, e de Edison Anselmo, Anderson de Freitas e Maria Israela Cortes Bocato, no último sábado.

Segundo o advogado do hospital, Helio Gomes Coelho Júnior, houve desproporção na atuação da Polícia Civil. "Houve a espetacularização do caso por conta da atitude dos agentes do Estado e a criação de uma situação de pânico entre os pacientes do hospital e na sociedade como um todo".

O advogado ressaltou que não há, no inquérito, nada contra a instituição. "O hospital não é parte de nenhum procedimento investigatório. Insinua-se o envolvimento de uma profissional, que em 20 anos de serviços prestados à instituição, nunca teve nenhum questionamento à sua conduta", disse.

As representações da Sociedade Evangélica foram enviadas à Vara de Inquéritos Policiais de Curitiba, à Secretaria do Estado de Segurança Pública e ao Ministério Público do Paraná. Ao contrário do advogado de defesa da mécica Virgínia, Elias Mattar Assad, que anunciou que pediria a quebra do sigilo do inquérito, o hospital evangélico entende que o segredo de Justiça é importante para salvaguardar a honra dos envolvidos e está sendo quebrado com informações dadas à imprensa.

"Há uma determinação judicial pelo sigilo e a divulgação de informações contidas no inquérito é uma violação desta determinação judicial. Por isso, tomamos essa providência", explica o advogado criminalista Gláucio Antônio Pereira, contratado pela instituição para representá-la no caso. "Defendemos o sigilo para preservar a honra das pessoas envolvidas e a tranquilidade social, evitando o pânico coletivo", disse, informando que a representação pede, inclusive o afastamento da delegada.

UTI fechada
O diretor técnico do hospital, Luiz Felipe Mendes informou que, desde sábado, com a prisão de outros três médicos, a UTI Geral do hospital está fechada. "Reduzimos nossa oferta de leitos, a UTI Geral está fechada e o hospital está contratando uma nova equipe, porque os médicos do hospital não estão à vontade para trabalhar na UTI por conta desta investigação", disse.

O diretor informou que, a pedido da Secretaria Municipal de Saúde, substituiu toda a equipe da UTI. "Alguns foram deslocados para outros setores, outros saíram de férias, substituímos toda a equipe médica e de enfermagem para evitar constrangimento", disse.

Mendes também lamentou a ação policial. "Fomos surpreendidos com 30 policiais armados invadindo o hospital para prender a doutora Virgínia. Ninguém tinha conhecimento da investigação e, agora, a comissão de sindicância não está tendo dificuldades para trabalhar, porque a polícia levou os originais dos seis prontuários que estão sendo alvo da investigação".

Segundo o diretor, foram apreendidos os prontuários de cinco óbitos e de um paciente que segue internado, em recuperação, no hospital. "Não há nada nas comissões do hospital, tanto a de óbitos quanto a de prontuários, nem no Conselho Regional de Medicina, contra a conduta profissional desses médicos que hoje estão presos e sendo publicamente linchados", concluiu.

Especial para Terra