Polícia

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17 de setembro de 2010 • 04h14

Polícia quer acabar com núcleos de torcidas rivais no Rio

A Polícia Civil vai encaminhar à Justiça pedido de extinção dos dois grupos rivais de torcidas organizadas do Vasco e do Flamengo que promoviam pancadarias, principalmente em São Gonçalo e Niterói. Alvos da Operação Hooligans, deflagrada nessa quarta-feira, a 7ª Família da Força Jovem do Vasco e o 8º Pelotão da Torcida Jovem do Flamengo tiveram 13 de seus integrantes presos. Eles e mais seis foragidos são acusados de participar de brigas que, só este ano, provocaram três mortes.

Segundo o delegado Luiz Antônio Ferreira, titular da 73ª DP (Neves), que coordenou as investigações, os associados dessas facções poderão ser proibidos de frequentar estádios por três anos, caso a solicitação seja aceita. A medida está prevista no Estatuto do Torcedor.

"Não se trata apenas de um trabalho de polícia, que investigou homicídios, prendeu e ponto final. Agora, haverá fiscalização e será realizado um trabalho de total integração com a Justiça para o fim da violência entre esses torcedores rivais", explicou o delegado.

Ferreira ressaltou que são sempre os mesmos grupos que participam das batalhas no meio da rua. "Em alguns inquéritos, os integrantes são vítimas. Em outros, viram os autores", contou, citando o caso de André Nogueira, o NG, apontado como líder da 7ª Família do Força Jovem do Vasco. O jovem, que foi alvo de duas tentativas de homicídio, em fevereiro e julho, também é acusado de participar da morte de um rival.

Trabalho conjunto
"O que fizemos, na verdade, foi uma verdadeira engenharia processual, com apoio do Ministério Público, na qual conseguimos unificar dois inquéritos e duas ações penais em curso. Depois de três reuniões com o promotor Paulo Ricardo, isso foi possível. É necessário agora uma intensa fiscalização. A polícia judiciária deve fazer agora um trabalho de prevenção", disse.

O Estatuto do Torcedor prevê que a torcida organizada pode responder civilmente pelos danos causados por qualquer dos seus associados no local do evento esportivo, em suas imediações ou ainda no trajeto de ida e volta para o estádio.

Procurados pelo jornal O DIA, dirigentes das torcidas Jovem do Flamengo e Força Jovem do Vasco não responderam às ligações para comentar o caso.

Panfleto de festa de torcida complica PM candidata
Durante a análise do material apreendido na Operação Hooligans, policiais encontraram panfletos da policial militar Michelle Barra, que concorre a uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Partido Social Liberal (PSL). O nome e o número da candidata aparecem em papéis de divulgação de eventos promovidos pela Força Jovem do Vasco. Um deles foi uma festa batizada de 'Vascachaça'.

A polícia investiga se a PM teria infringido a Lei Eleitoral, que proíbe que candidatos patrocinem eventos privados - o que poderia configurar o crime de abuso de poder econômico. O delegado da 73ª DP vai encaminhar as informações à Justiça Eleitoral de São Gonçalo. Em caso de comprovação do delito, a candidatura de Michele poderá ser cassada.

Para a Polícia Civil, um agravante pesa contra a candidata: investigações mostraram que muitas brigas eram organizadas pelas torcidas durante esses eventos.

Por meio de sua assessoria, Michelle Barra declarou-se surpresa com a descoberta dos panfletos. Ela afirmou que um amigo pedira ajuda para conseguir um local para promover uma festa. E que, com esse evento, poderia conseguir o apoio de até mil pessoas. A PM alegou desconhecer a confecção de material de campanha vinculando a candidatura dela à festa da Força Jovem.

A direção do PSL também informou que não sabia da vinculação de Michele com eventos da torcida e que vai acompanhar o caso.

Prisões ocorreram depois de sete meses de investigação
Resultado de sete meses de investigações, a Operação Hooligans mobilizou 160 agentes de nove delegacias especializadas e distritais. Os policiais foram encarregados de cumprir 19 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão.

Entre os procurados, quatro já estavam na cadeia, acusados de outros crimes: Guilherme Barreto de Pinho, 26 anos; João Paulo Leonardo da Costa, 26; Wander Jorge Braga, 23; e Fabrício Porto Sales, 29.

Durante a ação, os agentes prenderam o soldado do Batalhão de Choque da PM Luís Carlos Barbosa de Lima Júnior, o Multilock. Ele negou envolvimento com a guerra de torcidas e afirmou que até já separou brigas.

Outro capturado foi Luan Rosa da Silva, filho da secretária de Educação de Itaboraí. O jovem também afirmou não ter participação em confrontos de torcidas organizadas.

O Dia