Polícia

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11 de novembro de 2013 • 14h55 • atualizado às 14h58

Polícia apura atuação de políticos em grupo que aplicava golpes bancários

Catorze mandados de prisão foram cumpridos em quatro Estados

Políticos da Baixada Fluminense estão sendo investigados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro sob suspeita de participarem do esquema da quadrilha desarticulada na manhã desta segunda-feira, que aplicava golpes bancários, e movimentou R$ 37,7 milhões em mais de 500 empréstimos financeiros de 2011 para cá. Parte desse dinheiro foi usado para financiar a campanha de um prefeito da região que foi eleito no ano passado.

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"Eles doaram R$ 390 mil para um político que foi eleito prefeito na Baixada. Isso representou mais da metade das doações que foram declaradas pelo candidato", afirmou o delegado titular da 54ª Delegacia de Polícia, Felipe Curi.

A ação foi nomeada de Big Bang. Foram expedidos 15 mandados de prisão no Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo e Paraná. Até o início da tarde, 14 tinham sido cumpridos. Um homem que estava em um dos locais de busca foi preso por porte ilegal de arma. A operação contou com outros 28 mandados de busca e apreensão.

A quadrilha era liderada, segundo a polícia, por Rogério Manso Moreira, apontado pela investigação como lobista político que atuava na intermediação de contratos entre empresas e prefeituras da Baixada Fluminense. Manso atuava juntamente com o pai, Reinaldo Polifique, e o tio, Reginaldo Polifique. Ele foi candidato a deputado federal pelo PTdoB, mas não conseguiu se eleger. Também integrava a quadrilha Rogério Vieira Ramos, assessor do gabinete do prefeito de Belford Roxo.

"O Rogério Manso é muito bem articulado, tem um alto poder de convencimento. O pai dele já era lobista político, sempre intermediou contratos. Ele sempre circulou entre empresários da Baixada", observou Curi.

O esquema
O esquema aliciava empreiteiros e pequenos empresários, que recebiam do bando a oferta para participar de licitações de contratos públicos. Eles convenciam os empresários a pegar empréstimos para elevar o capital social das empresas, a fim de que elas estivessem habilitadas para concorrências mais elevadas. Com a promessa de que facilitariam a vitória nas licitações, os estelionatários cobravam de R$ 50 mil a R$ 200 mil como forma de uma taxa de inscrição fictícia. 

"Algumas licitações existiam, mas muitas nem aconteciam. Os empresários se endividavam, e a quadrilha se propunha a pagar os empréstimos, desde que eles herdassem essas empresas, que tinham CNPJ antigo. 

Esse esquema criou o grupo Universo, uma espécie de holding que tinha 35 empresas sob um mesmo guarda-chuva. Por meio dessas empresas, eles obtinham empréstimos de até R$ 2 milhões, no esquema "pirâmide". Muitas dessas empresas fechou contratos com prefeituras da Baixada. Uma delas, a Necesser, fechou contrato de R$ 480 mil para prestar serviços para o consórcio Rios da Baixada, que atua em Belford Roxo.

Dinheiro lavado com compra de caminhões
O dinheiro movimentado era lavado com o investimento na compra de caminhões. Os suspeitos adquiriram 82 veículos, que eram arrendados a outras empresas. Até o fim da manhã, 21 deles tinham sido apreendidos. Parte do dinheiro também foi aplicado na revitalização de um colégio em Belford Roxo, que estava sendo negociado com a prefeitura local, de acordo com o delegado.

Recentemente, a quadrilha começou a diversificar seus negócios, passando a atuar na área de saúde. Eles constituíram uma ONG para disputar a licitação para administrar hospitais da rede pública. Segundo o delegado, eles loteavam serviços mediante pagamento de propina para empresários. A ONG já estava atuando em hospitais de Ilhéus e Itajamirim, na Bahia.

"Eles estavam se preparando para começar a atuar desta forma no Rio de Janeiro. Tentaram entrar no hospital Santa Cruz, em Niterói, mas não conseguiram", informou. 

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