Polícia apura atuação de políticos em grupo que aplicava golpes bancários

Catorze mandados de prisão foram cumpridos em quatro Estados

  • Cirilo Junior
Cirilo Junior
Direto do Rio de Janeiro
atualizado às 14h58
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Políticos da Baixada Fluminense estão sendo investigados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro sob suspeita de participarem do esquema da quadrilha desarticulada na manhã desta segunda-feira, que aplicava golpes bancários, e movimentou R$ 37,7 milhões em mais de 500 empréstimos financeiros de 2011 para cá. Parte desse dinheiro foi usado para financiar a campanha de um prefeito da região que foi eleito no ano passado.

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"Eles doaram R$ 390 mil para um político que foi eleito prefeito na Baixada. Isso representou mais da metade das doações que foram declaradas pelo candidato", afirmou o delegado titular da 54ª Delegacia de Polícia, Felipe Curi.

A ação foi nomeada de Big Bang. Foram expedidos 15 mandados de prisão no Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo e Paraná. Até o início da tarde, 14 tinham sido cumpridos. Um homem que estava em um dos locais de busca foi preso por porte ilegal de arma. A operação contou com outros 28 mandados de busca e apreensão.

A quadrilha era liderada, segundo a polícia, por Rogério Manso Moreira, apontado pela investigação como lobista político que atuava na intermediação de contratos entre empresas e prefeituras da Baixada Fluminense. Manso atuava juntamente com o pai, Reinaldo Polifique, e o tio, Reginaldo Polifique. Ele foi candidato a deputado federal pelo PTdoB , mas não conseguiu se eleger. Também integrava a quadrilha Rogério Vieira Ramos, assessor do gabinete do prefeito de Belford Roxo.

"O Rogério Manso é muito bem articulado, tem um alto poder de convencimento. O pai dele já era lobista político, sempre intermediou contratos. Ele sempre circulou entre empresários da Baixada", observou Curi.

O esquema
O esquema aliciava empreiteiros e pequenos empresários, que recebiam do bando a oferta para participar de licitações de contratos públicos. Eles convenciam os empresários a pegar empréstimos para elevar o capital social das empresas, a fim de que elas estivessem habilitadas para concorrências mais elevadas. Com a promessa de que facilitariam a vitória nas licitações, os estelionatários cobravam de R$ 50 mil a R$ 200 mil como forma de uma taxa de inscrição fictícia.

"Algumas licitações existiam, mas muitas nem aconteciam. Os empresários se endividavam, e a quadrilha se propunha a pagar os empréstimos, desde que eles herdassem essas empresas, que tinham CNPJ antigo.

Esse esquema criou o grupo Universo, uma espécie de holding que tinha 35 empresas sob um mesmo guarda-chuva. Por meio dessas empresas, eles obtinham empréstimos de até R$ 2 milhões, no esquema "pirâmide". Muitas dessas empresas fechou contratos com prefeituras da Baixada. Uma delas, a Necesser, fechou contrato de R$ 480 mil para prestar serviços para o consórcio Rios da Baixada, que atua em Belford Roxo.

Dinheiro lavado com compra de caminhões
O dinheiro movimentado era lavado com o investimento na compra de caminhões. Os suspeitos adquiriram 82 veículos, que eram arrendados a outras empresas. Até o fim da manhã, 21 deles tinham sido apreendidos. Parte do dinheiro também foi aplicado na revitalização de um colégio em Belford Roxo, que estava sendo negociado com a prefeitura local, de acordo com o delegado.

Recentemente, a quadrilha começou a diversificar seus negócios, passando a atuar na área de saúde. Eles constituíram uma ONG para disputar a licitação para administrar hospitais da rede pública. Segundo o delegado, eles loteavam serviços mediante pagamento de propina para empresários. A ONG já estava atuando em hospitais de Ilhéus e Itajamirim, na Bahia.

"Eles estavam se preparando para começar a atuar desta forma no Rio de Janeiro. Tentaram entrar no hospital Santa Cruz, em Niterói, mas não conseguiram", informou.

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Terra

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