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Polícia acredita que traficantes ainda estejam no Alemão

28 nov 2010
11h40
atualizado às 12h11
Luís Bulcão Pinheiro
Direto do Rio de Janeiro

As autoridades policiais que participam da operação no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, acreditam que os traficantes ainda estejam escondidos dentro de favelas da região. O coronel Lima Castro, relações públicas da Polícia Militar, classificou a operação de "extremamente satisfatória" até o momento.

"É grande a possibilidade de que confrontos armados aconteçam", disse o coronel, apesar de a polícia já ter afirmado que o Complexo do Alemão está dominado. Segundo ele, grande parte dos cerca de 200 homens que apareceram na quinta-feira fugindo da Vila Cruzeiro para o Complexo do Alemão ainda não foi encontrada.

O comandante da Polícia Civil Rodrigo Oliveira admitiu que há informações sobre os possíveis locais onde os bandidos estariam escondidos. Sem dar mais detalhes, Oliveira pediu confiança dos moradores. "Peço à população que confie no nosso trabalho. Agora, o Alemão pertence novamente à comunidade. Não vamos sair daqui", garantiu.

Violência
Os ataques tiveram início na tarde de domingo, dia 21, quando seis homens armados com fuzis abordaram três veículos por volta das 13h na Linha Vermelha, na altura da rodovia Washington Luis. Eles assaltaram os donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro. Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer).

Cartas divulgadas pela imprensa na segunda-feira levantaram a hipótese de que o ataque teria sido orquestrado por líderes de facções criminosas que estão no presídio federal de Catanduvas, no Paraná. O governo do Rio afirmou que há informações dos serviços de inteligência que levam a crer no plano de ataque, mas que não há nada confirmado.

Na terça, todo efetivo policial do Rio foi colocado nas ruas para combater os ataques e foi pedido o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para fiscalizar as estradas. Ao longo da semana, Marinha, Exército e Polícia Federal passaram a integrar as forças de segurança para combater a onda de violência.

Desde o início dos ataques, o governo do Estado transferiu 18 presidiários acusados de liderar a onda de ataques para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná. Os traficantes Marcinho VP, Elias Maluco e mais onze presidiários que estavam na penitenciária de Catanduvas foram transferidos para o Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia.

Na quinta-feira, 200 policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) entraram na vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Muitos traficantes fugiram para o Complexo do Alemão. O sábado foi marcado pelo cerco ao Complexo do Alemão. À tarde, venceu o prazo dado pela Polícia Militar para os traficantes se entregarem. Dentre os poucos que se apresentaram, está Diego Raimundo da Silva dos Santos, conhecido como Mister M, que foi convencido pela mãe e por pastores a se entregar. Na manhã de domingo, as forças efetuaram a ocupação do complexo.

Desde o início dos ataques, pelo menos 38 pessoas morreram em confrontos no Rio de Janeiro e 181 veículos foram incendiados.

Fonte: Redação Terra
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