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PF combate rede de corrupção no PR liderada por assessor parlamentar

Entre os presos na operação estão policiais civis e militares de cidades do Paraná

25 abr 2013
08h48
atualizado às 18h53
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A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira 22 pessoas suspeitas de fazerem parte de um grupo voltado ao contrabando e à exploração de jogos de azar no Paraná. Entre os presos estão quatro policiais militares e um assessor de um deputado estadual paranaense.

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A operação, chamada de Fractal, cumpriu mandados em diversas cidades paranaenses, e também nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Ao todo, 13 pessoas foram presas em Curitiba, entre elas quatro PMs. Em Foz do Iguaçu, quatro pessoas foram presas, entre elas um policial civil. Em Maringá, a PF prendeu cinco pessoas, quatro delas policiais militares.

Além das prisões, 23 conduções coercitivas também foram realizadas no Estado -16 em Curitiba, quatro em Maringá, duas em Londrina e uma em Foz do Iguaçu.

Os agentes cumpriram mandados também em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, mas nenhuma pessoa foi presa nesses Estados.

Durante a ação, os policiais apreenderam também 13 veículos, cinco armas de fogo e um silenciador.

Organização corrompeu diversos setores
Segundo a Polícia Federal, há indícios de corrupção ou influência em setores das polícias Militar, Civil e Federal, Receita Federal, Receita Estadual, Ministério Público Estadual e Assembleia Legislativa do Paraná.

Ao todo, cerca de 250 policiais federais fizeram parte da ação, com 40 mandados de busca e apreensão, 23 mandados de prisão preventiva, seis mandados de prisão temporária e 29 mandados de condução coercitiva. As ordens judiciais foram executadas nas cidades de Curitiba, Maringá, Medianeira, Foz do Iguaçu, Faxinal e Matinhos, no Paraná; em Porto Alegre e Canoas, no Rio Grande do Sul; e em Laguna e Joinville, em Santa Catarina.

A Polícia Federal iniciou a investigação em 2010, após representação do Ministério Público Federal (MPF) de Umuarama (PR), e apurou que a quadrilha se valia de um “braço armado” formado por policiais militares lotados, em sua maioria, em rotas de contrabando no noroeste do Paraná. Além de facilitar a passagem da mercadoria do grupo, os policiais extorquiam contrabandistas concorrentes, repassando parte dos valores e dos produtos desviados de apreensões ao núcleo central do esquema.

Além da liderança do assessor parlamentar, o grupo agia sob influência de oficiais da Polícia Militar ocupantes de postos chave que mantinham os policiais aliciados em equipes móveis e os auxiliavam em procedimentos disciplinares para praticar crimes, como contrabando de cigarros.

De acordo com a polícia, parte dos imóveis, bem como valores - suspeitos de terem sido adquiridos pelo grupo com dinheiro proveniente dos delitos - foram bloqueados por decisão judicial. Ao longo da investigação foram realizados diversos flagrantes e prisões de servidores públicos por suspeita de corrupção. A investigação, que está em segredo de Justiça, deverá realizar outras ações.

A operação recebeu o nome de Fractal em função da ramificação detectada nas investigações, que levou a quadrilha a se infiltrar em todas as esferas do Estado. Por um conceito matemático, “fractal” refere-se a uma forma geométrica que se auto repete dentro de si própria e parece sempre igual, independente da ampliação da imagem, assim como era a atuação do grupo.

Especial para Terra

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