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PF apreende 10 mil animais no PR; Ibama fará triagem

30 jun 2010
17h43
atualizado às 17h46

Joyce Carvalho
Direto de Curitiba

 A arara azul está entre as espécies mais visadas pelo tráfico de animais silvestres
A arara azul está entre as espécies mais visadas pelo tráfico de animais silvestres
Foto: PF / Divulgação

A Polícia Federal no Paraná prendeu, nesta quarta-feira, a maior quadrilha de tráfico de animais em atuação no Brasil. Mais de 10 mil animais foram apreendidos e serão encaminhados para centros de triagem do Ibama. Os animais vindos do exterior devem ser repatriados. O grupo realizava leilões para a venda dos animais e, em um desses eventos, faturou ao menos R$ 500 mil. Uma Arara Azul era vendida por R$ 150 mil.

A Operação São Francisco teve início há oito meses e resultou na prisão de Márcio Rodrigues, que não possuía autorização do Ibama para criar animais, além de ser apontado como líder de um grupo que enviava aves da fauna brasileira para outros países e recebia do exterior espécies exóticas. O criadouro estava localizado em uma chácara em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba (PR).

Foram expedidos pela Justiça 32 mandados de prisão, e até as 16h, 29 pessoas já haviam sido presas em cidades do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Entre os detidos presos estão Sérgio Filardo, coronel da Polícia Militar do Paraná e que comandou a Polícia Ambiental Força Verde por dois anos; Sérgio Busato, conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná; Harry Teles, diretor administrativo do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), órgão de fiscalização vinculado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente; e Jackson Vosgerau, diretor de fiscalização do IAP.

Eles seriam facilitadores da atividade ilegal. "Nada disto era novidade para os órgãos ambientais", disse o delegado chefe da delegacia de meio ambiente no Paraná e coordenador da Operação São Francisco, o policial federal Rubens Lopes da Silva.

Foram realizadas seis prisões em flagrante e a PF aguarda a prisão de um brasileiro na Austrália e de um holandês na região de Amsterdã. Ambos seriam ligados à quadrilha. O núcleo da Holanda receberia ovos e animais de várias partes do mundo, que eram enviados ao Brasil.

O grupo privilegiava o transporte de ovos de aves, que eram chocados antes de serem entregues para mulas (responsáveis pelo transporte), mas caso houvesse atraso nos voos, os animais nasciam próximos ao corpo da pessoa que os transportava (onde eram escondidos), mas acabavam morrendo.

Segundo o Ibama, as aves encontradas no cativeiro de Rodrigues em São José dos Pinhais estavam em excelente condição, mas podem ter sofrido maus tratos durante o esquema de tráfico. As aves eram vendidas em leilões realizados na chácara do líder da quadrilha. O menor valor arrecadado em um destes eventos foi de R$ 500 mil. Os leilões aconteciam a cada 15 dias, segundo o delegado Silva.

A quadrilha possui duas empresas de fachada para lavagem de dinheiro: uma factory e uma revenda de produtos de limpeza. "Rodrigues era conhecido no mundo inteiro. Era referência e ainda vendia know-how", disse o delegado.

A PF vai seguir com as investigações e depoimentos dos presos para esclarecer totalmente o esquema internacional de tráfico de animais exóticos. Rodrigues pode responder, por tráfico de animais, inclusão de espécies exóticas no País sem autorização, formação de quadrilha, receptação, falsificação de sinais públicos (pois usava identificação falsa do Ibama), lavagem de dinheiro e criação de instituição financeira sem licença. "Com esta operação, o tráfico de animais vai sentir o peso do Estado brasileiro. O cidadão que insistir, vai sentir a força do Estado. O trabalho não para por aqui", afirmou o diretor de fiscalização do Ibama, Luciano Menezes Evaristo.

Fonte: Redação Terra
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