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PA: adolescente foge de boate e denuncia rede de tráfico humano

Jovem foi aliciada com a promessa de ganhar até R$ 14 mil por semana

14 fev 2013
14h37
atualizado às 14h37
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O Conselho Tutelar de Altamira, no sudoeste do Pará, recebeu uma denúncia envolvendo o tráfico de seres humanos nesta quarta-feira. Segundo o conselheiro Josivan Batista, uma adolescente procurou o órgão após ser mantida em cárcere privado em uma boate localizada em um canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

"Essa jovem, de 16 anos, estava há 3 dias na casa. Segundo ela, um grupo de mulheres foram aliciadas em Santa Catarina com a promessa de trabalhar em uma boate, onde ganhariam de R$ 10 mil a R$ 14 mil por semana, mas chegando aqui não foi bem isso o que aconteceu", disse o conselheiro.

Segundo a polícia, chegando ao Pará as mulheres já estavam devendo o valor da passagem para os traficantes. Presas, elas eram obrigadas a fazer programas para devolver o valor cobrado. Porém, como cada item - desde roupa até alimentação - eram cobrados, essa dívida acabava ficando cada vez mais alta.

Após receber a denúncia da jovem na tarde de ontem, o Conselho Tutelar foi averiguar o local, acompanhado de policiais civis e militares. Chegando lá, foram encontradas outras 14 mulheres. "Elas viviam em cárcere privado e não podiam sair. Segundo a adolescente, além do dono da boate, o filho dele e um gerente, que servia como capanga, viviam no local", falou Josivan.

Após a abordagem policial, quatro mulheres decidiram deixar o local, porém, outras dez decidiram ficar. "Elas não quiseram nos acompanhar e ficaram lá. São todas maiores de idade, mas é provável que tenham ficado com medo de sair", disse. O filho do dono e o vigia foram detidos, já proprietário da boate conseguiu fugir.

As mulheres resgatadas, segundo a polícia, vieram de Santa Catarina há uma semana. Segundo informações dadas pela adolescente, um novo grupo chegaria ao local a partir de amanhã. Todas eram trazidas por uma mulher que não foi identificada.

Na tarde desta quinta-feira, outra operação vai até o local para tentar resgatar mais mulheres e prender o fugitivo. O caso é apurado pela delegacia do Xingu. O Conselho Tutelar irá solicitar ao Ministério Público Federal que as vítimas resgatadas da boate sejam incluídas em programas de proteção à testemunha.

Fonte: Terra

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