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Ordem para ataques no Rio teria saído de presídio no PR, diz PM

23 nov 2010
09h52
atualizado às 13h02
Luís Bulcão Pinheiro
Direto do Rio de Janeiro

A ordem para a onda de atentados no Rio de Janeiro, que iniciou no domingo e continuou na noite de segunda-feira, teria partido do presídio de segurança máxima de Catanduvas, no oeste do Paraná, a 476 km de Curitiba, de acordo com a polícia. Apenas na noite de segunda-feira, quatro carros foram incendiados no Rio. Dois foram queimados na Via Dutra, próximo da Pavuna, e dois na zona norte da cidade. Já são nove carros queimados desde domingo, em ataques que não deixaram vítimas.

O coronel Lima Castro, responsável pela comunicação social da Polícia Militar, afirma que os crimes podem ser uma resposta à transferência de detentos para fora do Rio. "Não me surpreende que tenha acontecido. Esse dado está sendo apurado pela Secretaria de Segurança. Isso pode ser um indicativo de uma retaliação pela transferência de líderes do tráfico de presídios do Rio para fora do Estado".

Lima Castro anunciou ações que a PM está aplicando a partir de hoje para evitar novos atentados. Segundo ele, todos os PMs em condições médicas e físicas devem ir para as ruas, e o expediente administrativo será suspenso, aumentando o efetivo. O policiamento será reforçado por 140 motocicletas recém adquiridas pela PM, e até sexta-feira, segundo o coronel, outras 140 estarão à disposição dos policiais. O coronel afirmou, ainda, que o policiamento do batalhão de choque será intensificado nas vias expressas (Linha Amarela, Linha Vermelha e Avenida Brasil) e que haverá incursões em regiões dominadas pelo tráfico para a busca de responsáveis pelos atentados.

As folgas serão diminuídas, de acordo com Lima Castro. "Estamos nos desdobrando. Estamos pedindo ao policial mais sacrifícios do que ele já faz", disse.

Semana começa violenta nas ruas do Rio
Dois homens em um Honda Civic foram mortos a tiros na manhã desta terça-feira na rodovia Washington Luiz, altura do km 122. A polícia acredita que os criminosos que atiraram no veículo sejam da favela Beira-Mar. Os assassinatos ocorrem após dois dias de violência no Rio. Segundo o coronel Lima Castro, não há relação entre este crime e a onda de violência que assusta o Rio desde domingo. "Já tenho a confirmação de que não tem nenhuma ligação. A principio, eles (as vítimas) saíram de uma casa noturna de Duque de Caxias, onde teria havido uma desavença", disse.

Na noite desta segunda-feira, criminosos incendiaram dois carros na Rodovia Presidente Dutra, sentido Capital, na altura da Pavuna. Foi o quinto ataque a motoristas em menos de 48 horas. Na zona norte, uma cabine da Polícia Militar (PM) foi metralhada próximo ao shopping Nova América, em Del Castilho. Até o início da manhã desta terça-feira, ninguém havia sido preso.

Na manhã de segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à Avenida Brasil, em Irajá, também na zona norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos - uma van de passageiros que fazia o trajeto de Belford Roxo para o Centro -, além de um Monza e um Uno.

Também na segunda pela manhã criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros no Trevo das Margaridas.

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou os ataques como "situações pontuais". No último domingo, houve três arrastões na cidade. "Isso está muito mais nas situações rotineiras do dia-a-dia da polícia", afirmou Beltrame.

Para o secretário, as ações criminosas são uma reação contra a política de ocupação de territórios do tráfico, por meio das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). Ele assegurou a continuidade do programa.

Fonte: Especial para Terra
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