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OAB vê 'claros sinais de fascismo' em protestos no Rio de Janeiro

Presidente da entidade participou de uma reunião no Palácio Guanabara nesta terça-feira

18 jul 2013
11h48
atualizado às 12h04
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A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro vê claros sinais de fascismo nas manifestações violentas na cidade. "Temos muitas criticas à ação da polícia, mas ninguém tem o direito de convocar pela internet para que se coloque fogo num palácio e ache que possa ser normal. Estamos vendo o fascismo prevalecendo", afirmou Felipe Santa Cruz, presidente da entidade, depois de participar de uma reunião no Palácio Guanabara na manhã desta terça-feira.

Lojas foram saqueadas, placas de sinalização arrancadas e bancos tiveram vidros e portas quebrados durante protesto no Rio de Janeiro
Lojas foram saqueadas, placas de sinalização arrancadas e bancos tiveram vidros e portas quebrados durante protesto no Rio de Janeiro
Foto: Alessandro Buzas / Futura Press

Sobre a possibilidade de a polícia voltar a usar armas letais e gás lacrimogêneo no controle dos protestos, Cruz criticou a PM por ter tentado colocar os advogados da OAB entre eles e os manifestantes. "Estão querendo transferir para a Ordem a falta de preparo deles para a contenção das passeatas", disse, estranhando que o Twitter da polícia tenha criticado a atuação da OAB nos protestos. "Queremos é a detenção dos que estão de rostos cobertos e com coquetéis molotov", garantiu, afirmando que vai continuar defendendo o uso de armas não letais. "O que houve ontem foi uma injustificada ausência em partes do Leblon", considerou.

O defensor geral público, Nilson Bruno, disse que a entidade vai seguir defendendo a população contra o excessos das forças policiais e que vá segurar defendendo as manifestações. "Desde que sejam dentro da ordem do Estado democrático de direito" disse. Felipe Santa Cruz disse que tem imagens de cerca de 50 advogados da OAB mostrando manifestantes depredando lojas, saqueando e ameaçando a população. "E essas pessoas têm que ser presas", completou.

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Fonte: Terra
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