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MT: bicheiro é condenado a 19 anos de prisão por mandar matar dono de jornal

24 out 2013
21h02
atualizado às 21h02
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O bicheiro João Arcanjo Ribeiro foi condenado nesta quinta-feira, em Cuiabá (MT), a 19 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, por homicídio duplamente qualificado. Arcanjo era acusado de ser o mandante do assassinato do empresário Domingos Sávio Brandão de Lima Junior, morto a tiros em frente à sede de seu jornal, em 2002.

Arcanjo era apontado como chefe do jogo do bicho em Mato Grosso na época da morte do empresário
Arcanjo era apontado como chefe do jogo do bicho em Mato Grosso na época da morte do empresário
Foto: TJ-MT / Divulgação

Sávio Brandão foi assassinado no dia 30 de setembro de 2002 por dois homens armados em uma moto. Segundo as investigações, o motivo da morte seria uma série de reportagens do jornal Folha do Estado, pertencente à vítima, que investigava crimes cometidos por João Arcanjo Ribeiro, chefe do jogo do bicho em Mato Grosso. Além de Arcanjo, foram denunciados pelo Ministério Público Hércules Araújo Agostinho, Célio Alves, João Leite e Fernando Barbosa - todos já condenados pela Justiça.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), os sete jurados (seis mulheres e um homem) demoraram cerca de 10 minutos para definir a condenação de Arcanjo, com uma votação apertada - 4 votos a favor e 3 contra a condenação. Por maioria dos votos, os jurados também concordaram com as qualificadoras do crime, cometido por motivo torpe e sem dar chance de defesa à vítima.

Depoimentos
O primeiro depoimento colhido foi o do delegado Luciano Inácio, responsável pela investigação da morte do empresário. Em seu depoimento, o delegado afirmou que Sálvio Brandão estaria contrariando os interesses financeiros do bicheiro, prejudicando seus negócios. Ele ressaltou o fato de que os assassinos não conheciam a vítima, o que reforçou a tese de que eles haviam sido contratados por um mandante. O delegado citou o bilhete escrito a mão, de Célio Alves para João Leite, cobrando valores e um recibo de R$ 38 mil, sem citar quem recebeu ou pagou.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) foi a segunda pessoa a ser ouvida no julgamento, na condição de informante. Ele era procurador da República na época do crime e afirmou que um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontava o réu como líder de uma organização criminosa que atuava na exploração do jogo do bicho em Mato Grosso, na exploração de cassinos e pistolagem.

Após intervalo de 30 minutos, teve início o depoimento da irmã da vítima, Luiza Marília de Barros Lima. Às 14h, foi convocada a primeira testemunha de defesa, Maria Luiza Clarentino de Souza, ex-funcionária do jornal do empresário. Ela contou que, logo após o assassinato de Sávio Brandão, jornalistas da empresa recebiam muitas denúncias anônimas, e citou um novo mandante.

Entre as ligações citadas pela ex-funcionária havia a de um homem que alegou se chamar Antônio, e que contou que a morte de Sávio Brandão teria sido praticada a mando de um madeireiro do norte de Mato Grosso, chamado Osmar, que teria se irritado com reportagem publicada pelo jornal sobre extração ilegal de madeira na região.

Fonte: Terra
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