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MP pede abertura de inquérito contra advogada de Lindemberg

15 mar 2012
21h23
atualizado às 21h29
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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu nesta quinta-feira abertura de inquérito contra a advogada Ana Lúcia Assad na delegacia seccional de Santo André, no ABC Paulista. Para o MP, a advogada ofendeu a juíza Milena Dias durante o júri de seu cliente Lindemberg Alves Fernandes, em fevereiro deste ano. O julgamento terminou com o réu condenado a 98 anos de prisão pelo cárcere e morte da ex-namorada Eloá Pimentel, em 2008.

A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, chegou a ser hostilizada pelo público durante o júri
A advogada de Lindemberg, Ana Lúcia Assad, chegou a ser hostilizada pelo público durante o júri
Foto: Reinaldo Marques / Terra

Relembre o cárcere privado mais longo do Estado de São Paulo

No segundo dia de júri, durante uma divergência, Ana Lúcia afirmou que a magistrada precisava "voltar a estudar". A advogada questionou uma perita sobre divergências no número das armas apresentadas na delegacia e nos autos do processo. A testemunha disse que esse tipo de erro é comum, principalmente por conta da velocidade com que é feito o boletim de ocorrência e que posteriormente os números haviam sido retificados.

Ao fim do depoimento, a advogada quis fazer mais um questionamento, mas não foi autorizada pela promotoria, com a concordância da juíza. A defensora então afirmou que pelo "princípio da verdade real" ela deveria ser novamente ouvida. A juíza retrucou: "pelo que eu saiba, esse termo não existe ou não tem esse nome". Como resposta ouviu: "então a senhora precisa voltar a estudar".

Na ocasião, a promotora do caso, Daniela Hashimoto, afirmou que a advogada foi desrespeitosa com a juíza e que a postura poderia ser considerada "desacato à autoridade". A postura de Ana Lúcia, que chegou a afirmar que Lindemberg era um "bom rapaz", gerou hostilidade do público que acompanhava o júri e a advogada teve que deixar o fórum escoltada.

O Terra tentou, sem sucesso, contato com a advogada Ana Lúcia Assad na noite desta quinta-feira.

O mais longo cárcere de SP
A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.

Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.

Terra

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