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MG: preso suspeito de extorquir políticos e veículos de comunicação

21 out 2011
16h59
atualizado às 17h08
Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

A Polícia Civil em Belo Horizonte apresentou nesta sexta-feira o lobista Nilton Antônio Monteiro, preso sob suspeita de extorquir políticos, empresários e veículos de comunicação por meio de títulos de crédito falsificados. Segundo o delegado Marcio Nabak, entre as supostas vítimas de Monteiro estão o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), o ex-ministro do Turismo Walfrido dos Mares Guia, a revista Veja, o jornal Hoje em Dia e o secretário de governo de Minas Gerais, Danilo de Castro.

"O Nilton foi um dos mentores da lista de Furnas, que em 2005 acusava políticos e empresários de participarem de uma rede de propinas e desvio de dinheiro público da Furnas Centrais Elétricas. Em 2008, passamos a investigá-lo por outros crimes ligados à falsificação de documentos e títulos de crédito com valores altos. Ele criava estes títulos e ingressava na Justiça para receber estes valores."

De acordo com Nabak, "o suspeito colocava como credores desses títulos os empresários e políticos citados. A partir de 2008 foi aberto um inquérito sobre um título se R$ 3 milhões que teria sido emitido por um advogado do Rio de Janeiro chamado Carlos Felipe Almodeu, advogado do senhor Dimas Toledo Fabiano, ex- presidente de Furnas. Por meio de perícia constatamos que este título era forjado com a assinatura falsificada. Inclusive apuramos que esse Carlos Felipe estava internado em uma UTI em estado terminal quando a nota promissória foi assinada. O IML verificou que ele não podia assinar o documento neste estado," afirmou.

Para dar veracidade aos títulos protestados na Justiça, Nilton Antônio Monteiro teria contado com a participação do advogado carioca Alcir Monteiro, que, segundo o delegado, já teve o registro cassado pela OAB-RJ, e a corretora Maria Marciel de Souza, que mora em Vila Velha, no Espírito Santo, e que também já teria sida presa pela polícia capixaba. Ela será trazida para Belo Horizonte na próxima segunda-feira, enquanto o advogado Alcir Monteiro permanece foragido. Os três tiveram a prisão preventiva decretada.

Na casa do lobista, a polícia apreendeu computadores e documentos forjados, como títulos de crédito e até folhas de um inquérito desviadas de dentro da Sexta Vara Cível do Fórum Lafayette, em Belo Horizonte.

Se somados, os títulos cobrados por Monteiro chegam a mais de R$ 300 milhões. O maior deles era cobrado do empresário Vittório Medioli, dono do jornal O Tempo, de Minas Gerais, no valor de R$ 190 milhões.

Do secretário de governo de Minas Gerais, Danilo de Castro, Monteiro cobrou na Justiça uma nota no valor de R$ 17,5 mi. "Esta cobrança ja está contestada na Justiça porque foi verificado que os documentos e a assinatura foram falsificados. Todos os cobrados alegaram em depoimento e na Justiça que nunca tiveram contato com o Nilton Monteiro. "Ele usava a Justiça para legalizar as falcatruas já que a qualidade da falsificação induzia que as assinaturas eram verdadeiras," afirmou o delegado.

Ainda segundo o delegado, o lobista já responde na Justiça a mais de 90 processos por estelionato e outros crimes. Desta vez, ele e as outras duas pessoas que assinavam como testemunhas das dívidas serão indiciadas por estelionato, falsificação de documentos particulares e formação de quadrilha. Nilton Antônio Monteiro deve ficar preso até o julgamento no Centro de Remanejamento de Presos do bairro São Cristóvão, em Belo Horizonte.

Consultoria
Nilton Antônio Ribeiro alegou que prestava serviços de consultoria aos políticos e empresários que ele ajuizou as ações na Justiça. O suspeito não quis revelar que tipo de consultoria, mas ele afirmou que todas as assinaturas e documentos eram verdadeiros. Monteiro disse ainda que não dará detalhes das supostas consultorias porque vem sendo ameaçado de morte: "Todo dia eles querem me exterminar." Ele alegou ainda que a sua prisão "foi motivada por perseguição política."

Nilton Antônio Monteiro é suspeito de extorquir políticos, empresários e veículos de comunicação
Nilton Antônio Monteiro é suspeito de extorquir políticos, empresários e veículos de comunicação
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra

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