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Mais 2 alunas afirmam ter bebido combustível em trote em SP

2 fev 2010
20h44
atualizado às 20h49
Chico Siqueira
Direto de Araçatuba

A Polícia Civil de Fernandópolis, interior de São Paulo, ouviu hoje três calouros do curso de medicina veterinária que teriam sofrido agressões e humilhações em trote violento praticado por colegas do quinto ano da Universidade Camilo Castelo Branco (Unicastelo). Os estudantes disseram, em depoimento na Delegacia de Investigações Geerais (DIG), que foram obrigados a tomar álcool combustível e bebidas alcoólicas, tiveram roupas rasgadas, foram obrigados a ficar sem cuecas e calcinhas e ainda tiveram veneno de carrapato passado pelos corpos, antes de serem levados para sessões de humilhações e constrangimento nas avenidas da cidade.

O trote foi denunciado pela mãe do calouro J.G.B., 18 anos, que encontrou o filho em estado degradante na rua depois de receber um telefonema de uma estudante. De acordo com a mãe do jovem, o filho recebeu tapas no rosto ao tentar reagir às agressões e estava alcoolizado quando ela o encontrou. Nesta terça-feira, outras duas meninas também relataram as agressões físicas e psicológicas ao delegado Gerson Piva.

O delegado disse que, a pedido das vítimas, não poderia divulgar os nomes dos estudantes agredidos, mas adiantou que pode encontrar mais vítimas nas próximas horas. "Essas meninas disseram que foram muito humilhadas, especialmente por serem obrigadas a ficar sem calcinhas e a passar por sessões de tortura psicológica. É possível que haja mais estudantes que foram colocados na mesma situação", disse o delegado.

De acordo com Piva, exames vão indicar se a bebida dada aos estudantes era realmente álcool combustível e se o produto passado nas costas deles era veneno para carrapatos. Segundo ele, o próximo passo agora é procurar os responsáveis. "Nesta quarta-feira, vamos atrás das pessoas que pregaram esse trote absurdo", afirmou.

Segundo Piva, os responsáveis vão responder por crimes de constrangimento ilegal e injúria grave (que acumula a infração de lesão corporal), cuja pena é de três meses a um ano de prisão.

Universidade cria comissão
O reitor da Unicastelo, Gilberto Luiz Moraes Selder, disse que uma comissão de sindicância foi formada para apurar as denúncias e apresentar a punições para os estudantes agressores em 15 dias. "Essa comissão vai ouvir testemunhas e estudantes envolvidos e apresentar relatório propondo a punição aos estudantes agressores", disse.

De acordo com Selder, a punição pode variar de uma simples advertência verbal à expulsão do aluno infrator. Selder disse ainda que a universidade condena a prática do trote violento, dentro ou fora da escola. Segundo ele, a escola mantém programa de acolhimento e recepção aos calouros, mas que alguns alunos, que não se enquadram no regimento da escola, praticam tais abusos. O reitor também disse que a universidade mantém um Núcleo de Apoio Psicopedagógico, que dará apoio aos estudantes agredidos e as suas famílias.

Fonte: Especial para Terra

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