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13 de junho de 2012 • 18h25 • atualizado às 18h48

MA: morte de jornalista foi motivada por denúncias de agiotagem

Décio Sá foi executado em um bar de São Luís
Foto: Reprodução
 
Aline Louise
Direto de São Luis

Sete pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira no Maranhão sob suspeita de envolvimento no assassinato do jornalista Décio Sá, no dia 23 de abril. Entre os presos estão o executor do crime, empresários, um capitão da Polícia Militar e integrantes da rede de agiotagem deflagrada com a morte do jornalista. Segundo a polícia, o crime teria sido motivado por denúncias de agiotagem e colarinho branco, feitas pelo jornalista.

Foram presos pela Operação "Detonando": Jhonatan de Sousa Silva (24 anos), José de Alencar Miranda Carvalho (72 anos), Gláucio Alencar Pontes Carvalho (34 anos), Airton Martins Monroe (24 anos), José Raimundo Sales Chaves Júnior (38 anos), Fábio Aurélio do Lago e Silva (32 anos) e o Capitão da PM Fábio Aurélio Saraiva Silva.

A Polícia Civil cumpriu ordem de prisão decretada na noite de terça-feira em diferentes bairros da zona nobre de São Luís. Após 51 dias de investigação, a equipe envolvida no esclarecimento do crime também apurou desvio de verba pública oriunda do Maranhão e do Piauí.

O executor do crime, Jhonatan de Sousa Silva foi preso há uma semana no bairro do Turu, por tráfico de drogas. O secretário de Segurança do Maranhão, Aluísio Mendes, informou que o assassino já havia sido identificado e localizado antes da prisão. O flagrante do tráfico de drogas ocorreu por meio das investigações da morte do jornalista e, sob tutela policial, o executor teria confessado o crime.

Além da morte do jornalista, Jhonatan confessou outros 20 assassinatos em diferentes Estados, já que participa do programa de delação premiada. Ele teria cobrado R$ 100 mil para a execução de Décio Sá, mas só recebeu R$ 20 mil, o que o teria feito voltar à cidade para cobrar a parcela final.

Segundo Mendes, Jhonatan teria confessado planejar a morte de José Raimundo Sales Chaves Júnior, conhecido como Júnior Bolinha, por não ter cumprido com o pagamento total pela efetuação do crime. Bolinha também está preso. A secretaria não divulgou o local da prisão por motivo de segurança dos envolvidos.

Colarinho Branco
O secretário de Segurança do Maranhão, Aluísio Mendes, afirmou em entrevista coletiva que o crime foi motivado pelas denúncias feitas pelo blog de Décio Sá sobre crimes de agiotagem em diferentes Estados das regiões Norte e Nordeste. "Essas pessoas vinham minando cofres públicos federais, municipais e estaduais há muitos anos. Com a investigação da morte do jornalista Décio Sá, chegamos a uma rede de crime organizado que agia em muitas cidades", contou.

Durante o cumprimento dos mandados de prisão, busca e apreensão, foram encontrados cheques em branco assinados e notas de empenho de diversas prefeituras nas mãos do grupo de agiotas. O secretário não especificou os nomes dos gestores públicos envolvidos e nem a origem dos documentos.

"Nas investigações encontramos grandes figurões da sociedade maranhense, que cometem crime de colarinho branco. Essa será a segunda fase das investigações que daremos início agora e que também manteremos sigilo sobre o andamento," revelou Mendes. Para ele, os mandantes do assassinato do jornalista têm uma rede de proteção de diversos setores da sociedade que lhes "garantia a certeza da impunidade".

Um dos delegados envolvidos na investigação, Sebastião Uchoa, afirmou que as transações feitas entre os agiotas e os gestores de verbas públicas tinham por finalidade o financiamento de campanha.

Terra