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Jurista acredita em confissão dos Nardoni para reduzir pena

25 mar 2010
09h34
atualizado às 09h42
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Hermano Freitas
Direto de São Paulo

O jurista Luiz Flávio Gomes, que acompanha o júri popular da morte de Isabella Nardoni, afirmou que acredita na possibilidade de confissão de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá nesta quinta-feira. Segundo o ex-magistrado, o casal teria o benefício de uma atenuação da pena, mesmo após a demora de dois anos para admitir a culpa do crime. Ainda de acordo com ele, esta confissão daria o benefício de uma diminuição na pena, à critério do juiz Mauricio Fossen.

"Posso ser castrado", diz Podval sobre acareação

"Este benefício depende dos critérios do magistrado, mas geralmente a diminuição é de um ano", disse o professor de direito, antes do recomeço do julgamento nesta quinta-feira, que terá os testemunhos dos dois acusados. Ainda trabalhando na possibilidade de que o casal confesse, Gomes afirma que o fato praticamente terminaria com o julgamento. O debate passaria a ser sobre a severidade da sentença, não mais sobre a possibilidade de absolvição dos réus.

A análise de Gomes é feita no panorama da desistência de praticamente todas as testemunhas da defesa, chefiada pelo advogado Roberto Podval, na quarta-feira. O jurista acredita que a dispensa das testemunhas indicaria uma mudança na estratégia da defesa, que optaria por uma minimização dos danos diante do peso das participações das testemunhas de acusação. De acordo com Gomes, a fala mais demolidora para os réus foi a da perita Rosângela Monteiro, cujo depoimento durou cerca de 5 horas entre a manhã e a tarde de quarta-feira.

Ainda sem ordem definida pelo Tribunal de Justiça, o casal deve iniciar a autodefesa assim que começarem as atividades no plenário, um de cada vez. Em seguida, o próximo passo pode ser o pedido de leitura das peças, ou então pode valer a opção do juiz Fossen de adiantar diretamente para a fase de debates, com argumentações da acusação e da defesa. Cada uma das partes tem direito a duas horas de explanação, ainda com possibilidades de réplica e tréplica.

O depoimento dos réus, um dos momentos mais aguardados do caso, deve tomar quase todo o dia. Ainda existe a possibilidade do advogado de defesa do casal, Roberto Podval, solicitar a acareação, fato que colocará frente a frente os acusados com a mãe da vítima, Ana Carolina Oliveira, que se encontra isolada no Fórum de Santana desde a última segunda-feira, dia em que foi ao plenário e abriu os testemunhos diante do júri.

O caso
Isabella tinha 5 anos quando foi encontrada ferida no jardim do prédio onde moravam o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo, em 29 de março de 2008. Segundo a polícia, ela foi agredida, asfixiada, jogada do sexto andar do edifício e morreu após socorro médico. O pai e a madrasta foram os únicos indiciados, mas sempre negaram as acusações e alegam que o crime foi cometido por uma terceira pessoa que invadiu o apartamento.

O júri popular do casal começou em 22 de março e deve durar cinco dias. Pelo crime de homicídio, a pena é de no mínimo 12 anos de prisão, mas a sentença pode passar dos 20 anos com as qualificadoras de homicídio por meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e tentativa de encobrir um crime com outro. Por ter cometido o homicídio contra a própria filha, Alexandre Nardoni pode ter pena superior à de Anna Carolina, caso os dois sejam condenados.

Fonte: Redação Terra
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