1 evento ao vivo

Júri da segunda etapa do Carandiru é formado por sete homens

Conselho de sentença vai julgar 26 policiais militares acusados de matar 73 presos na Casa de Detenção de SP, em 1992

29 jul 2013
11h45
atualizado às 12h58
  • separator
  • 0
  • comentários

Um sorteio realizado na manhã desta segunda-feira, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, definiu sete homens para compor o conselho de sentença do julgamento de 26 policiais militares acusados pela morte de 73 presos no episódio que ficou conhecido por massacre do Carandiru, em outubro de 1992. Os policiais atuaram no terceiro pavimento do Pavilhão 9 da Casa de Detenção e a ação terminou com um saldo de 111 mortos. A polícia foi chamada após o início de uma briga entre presos.

Júri condena 23 PMs a 156 anos de prisão por massacre do Carandiru
"Vocês vão decidir que polícia querem na rua", diz defesa
Absolver PMs é 'cuspir na cara do bom policial', diz acusação
Defesa cita 'Tropa de Elite' e acusa governo para absolver PMs
MP exalta letalidade da Rota e acusa PM de 'plantar' armas

Durante o sorteio, defesa e acusação descartaram dois jurados cada e mais dois foram vetados por uma junta médica que fez uma avaliação física do grupo. Dos 26 réus, 23 estão presentes e três ausentes nesta segunda-feira. O julgamento deverá ir até a próxima sexta-feira, período em que os jurados terão de ficar incomunicáveis.

Esta é a segunda etapa do julgamento, que começou em abril com a condenação de 23 policiais militares - todos integrantes do 1º Batalhão de Choque (a Rota). Eles receberam uma pena de 156 anos de prisão, em regime fechado, por conta de 13 das 15 mortes ocorridas no 1º andar do prédio. Todos recorrem da sentença em liberdade.

Nessa primeira etapa, os policiais receberam a pena mínima para cada homicídio, que é de seis anos, somada a mais seis anos por impossibilitarem a defesa das vítimas. Os 12 anos foram multiplicados pelas 13 mortes para se chegar ao resultado final da sentença. Na ocasião, o júri ainda absolveu três PMs denunciados: Roberto Alberto da Silva, Eduardo Espósito e Maurício Marchese Rodrigues, seguindo recomendação do próprio Ministério Público, porque eles não atuaram no 1º andar do pavilhão com a tropa.

De acordo com o cronograma formulado pelo juiz Rodrigo Tellini, esta segunda-feira será reservada para a leitura de parte do processo e para o depoimento das testemunhas de acusação. Alguns depoimentos do primeiro julgamento serão apresentados em vídeo. Na terça-feira serão ouvidas testemunhas de defesa e a quarta-feira será destinada para o interrogatório dos réus. A quinta-feira abrirá espaço para leitura de outras partes do processo e a apresentação de vídeos escolhidos por defesa e acusação. Na sexta-feira, acontecem os debates e será proferida a sentença.

Relembre o caso
Em 2 de outubro de 1992, uma briga entre presos da Casa de Detenção de São Paulo - o Carandiru - deu início a um tumulto no Pavilhão 9, que culminou com a invasão da Polícia Militar e a morte de 111 detentos. Os policiais são acusados de disparar contra presos que estariam desarmados. A perícia constatou que vários deles receberam tiros pelas costas e na cabeça.

Entre as versões para o início da briga está a disputa por um varal ou pelo controle de drogas no presídio por dois grupos rivais. Ex-funcionários da Casa de Detenção afirmam que a situação ficou incontrolável e por isso a presença da PM se tornou imprescindível.

A defesa afirma que os policiais militares foram hostilizados e que os presos estavam armados. Já os detentos garantem que atiraram todas as armas brancas pela janela das celas assim que perceberam a invasão. Do total de mortos, 102 presos foram baleados e outros nove morreram em decorrência de ferimentos provocados por armas brancas. De acordo com o relatório da Polícia Militar, 22 policiais ficaram feridos.

 

 

Fonte: Terra
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade