Jornalista, filha de Santiago diz que pai achava profissão ingrata

Em uma carta aberta postada nesta segunda-feira no Facebook, Vanessa Andrade relatou alguns momentos que teve com o pai

atualizado às 17h54
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A jornalista Vanessa Andrade, 29 anos, filha do cinegrafista da Bandeirantes Santiago Andrade, morto após ser atingido por um rojão durante um protesto no Rio de Janeiro, disse que o pai considerava a profissão “ingrata”. Em uma carta aberta postada nesta segunda-feira no Facebook, Vanessa relatou alguns momentos que teve com o pai.

A jornalista Vanessa Andrade, 29 anos, filha do cinegrafista da Bandeirantes Santiago Andrade, postou no Facebook uma foto antiga da família
A jornalista Vanessa Andrade, 29 anos, filha do cinegrafista da Bandeirantes Santiago Andrade, postou no Facebook uma foto antiga da família
Foto: Facebook / Reprodução

“Quando decidi ser jornalista, aos 16, ele quase caiu duro. Disse que era profissão ingrata, salário baixo e muita ralação. Mas eu expliquei: vou usar seu sobrenome. Ele riu e disse: então pode!”, escreveu ela.

Vanessa também contou que passou a noite de ontem no hospital se despedindo de Santiago. “Só eu e ele. Deitada em seu ombro, tivemos tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir de cabeça erguida e cuidar da minha mãe e meus avós. Ele estava quentinho e sereno. Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se despediu.”

“Sei que ele está bem. Claro que está. E eu sou a continuação da vida dele. Um dia meus futuros filhos saberão quem foi Santiago Andrade, o avô deles. Mas eu, somente eu, saberei o orgulho de ter o nome dele na minha identidade”, disse a jornalista.

O irmão de Santiago, Jorge Andrade, também usou o Facebook para se manifestar sobre o cinegrafista, antes de saber da morte dele. Ontem, ele postou uma foto do irmão e escreveu: “Este é o meu irmão Santiago Ilidio de Andrade, pai exemplar de família, ser humano maravilhoso, cidadão que trabalhava e cumpria o seu dever a serviço da sociedade para que todas as informações estivessem acessíveis. Agora luta pela vida. Peço a Deus que segure a sua mão e que o salve. Seja feita a vontade de Deus.” Hoje, ao saber do falecimento do irmão, Jorge postou: "Vai com Deus meu querido irmão!"

O corpo do cinegrafista, que morreu hoje no Hospital Souza Aguiar, aos 49 anos, será sepultado nesta terça-feira, mas a hora e o local ainda não foram informados pela família. Os órgãos do cinegrafista já estão sendo retirados para doação, conforme autorização dada pela família do jornalista. Até o momento, foi confirmada a doação do fígado para um paciente da cidade do Rio de Janeiro.

Atingido em protesto, cinegrafista tem morte cerebral
Santiago foi atingido na cabeça por um rojão durante a cobertura de um protesto contra o aumento do preço do ônibus no Centro do Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro . Além dele, outras seis pessoas ficaram feridas na mesma manifestação.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o cinegrafista chegou em coma ao hospital municipal Souza Aguiar. Ele sofreu afundamento do crânio, perdeu parte da orelha esquerda e passou por cirurgia no setor de neurologia. A morte encefálica foi informada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) no início da tarde do dia 10 de fevereiro , após ser diagnosticada pela equipe de neurocirurgia do hospital, onde ficou internado no Centro de Terapia Intensiva desde a noite do dia 6.

O tatuador Fábio Raposo confessou à polícia ter participado da explosão do rojão que atingiu Santiago. Ele foi preso na manhã de domingo em cumprimento a um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça . O delegado Maurício Luciano, titular da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão) e responsável pelas investigações, disse que Fábio já foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado e crime de explosão e que a pena pode chegar a 35 anos de reclusão.

De acordo com o delegado, Fábio está colaborando com as investigações, mas ainda não é possível afirmar se ele entrará no programa de delação premiada. A defesa do rapaz e a polícia estão em negociação, para que o tatuador possa colaborar ainda mais com a investigação.

Fábio afirmou à polícia não saber o nome do segundo suspeito de participar da explosão que resultou na morte do cinegrafista . Segundo o advogado do jovem, Jonas Tadeu, seu cliente realmente não sabe o nome do homem apontado como o principal suspeito de ter acionado o explosivo que atingiu Santiago. Eles seriam apenas conhecidos de manifestações anteriores, já que Fábio era assíduo frequentador de protestos populares no Rio.

Terra

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