Polícia

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10 de fevereiro de 2014 • 17h49 • atualizado às 17h54

Jornalista, filha de Santiago diz que pai achava profissão ingrata

Em uma carta aberta postada nesta segunda-feira no Facebook, Vanessa Andrade relatou alguns momentos que teve com o pai

A jornalista Vanessa Andrade, 29 anos, filha do cinegrafista da Bandeirantes Santiago Andrade, postou no Facebook uma foto antiga da família
Foto: Facebook / Reprodução

A jornalista Vanessa Andrade, 29 anos, filha do cinegrafista da Bandeirantes Santiago Andrade, morto após ser atingido por um rojão durante um protesto no Rio de Janeiro, disse que o pai considerava a profissão “ingrata”. Em uma carta aberta postada nesta segunda-feira no Facebook, Vanessa relatou alguns momentos que teve com o pai.

“Quando decidi ser jornalista, aos 16, ele quase caiu duro. Disse que era profissão ingrata, salário baixo e muita ralação. Mas eu expliquei: vou usar seu sobrenome. Ele riu e disse: então pode!”, escreveu ela.

Vanessa também contou que passou a noite de ontem no hospital se despedindo de Santiago. “Só eu e ele. Deitada em seu ombro, tivemos tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir de cabeça erguida e cuidar da minha mãe e meus avós. Ele estava quentinho e sereno. Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se despediu.”

“Sei que ele está bem. Claro que está. E eu sou a continuação da vida dele. Um dia meus futuros filhos saberão quem foi Santiago Andrade, o avô deles. Mas eu, somente eu, saberei o orgulho de ter o nome dele na minha identidade”, disse a jornalista.

O irmão de Santiago, Jorge Andrade, também usou o Facebook para se manifestar sobre o cinegrafista, antes de saber da morte dele. Ontem, ele postou uma foto do irmão e escreveu: “Este é o meu irmão Santiago Ilidio de Andrade, pai exemplar de família, ser humano maravilhoso, cidadão que trabalhava e cumpria o seu dever a serviço da sociedade para que todas as informações estivessem acessíveis. Agora luta pela vida. Peço a Deus que segure a sua mão e que o salve. Seja feita a vontade de Deus.” Hoje, ao saber do falecimento do irmão, Jorge postou: "Vai com Deus meu querido irmão!"

O corpo do cinegrafista, que morreu hoje no Hospital Souza Aguiar, aos 49 anos, será sepultado nesta terça-feira, mas a hora e o local ainda não foram informados pela família. Os órgãos do cinegrafista já estão sendo retirados para doação, conforme autorização dada pela família do jornalista. Até o momento, foi confirmada a doação do fígado para um paciente da cidade do Rio de Janeiro.

Atingido em protesto, cinegrafista tem morte cerebral
Santiago foi atingido na cabeça por um rojão durante a cobertura de um protesto contra o aumento do preço do ônibus no Centro do Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro. Além dele, outras seis pessoas ficaram feridas na mesma manifestação. 

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o cinegrafista chegou em coma ao hospital municipal Souza Aguiar. Ele sofreu afundamento do crânio, perdeu parte da orelha esquerda e passou por cirurgia no setor de neurologia. A morte encefálica foi informada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) no início da tarde do dia 10 de fevereiro, após ser diagnosticada pela equipe de neurocirurgia do hospital, onde ficou internado no Centro de Terapia Intensiva desde a noite do dia 6.

O tatuador Fábio Raposo confessou à polícia ter participado da explosão do rojão que atingiu Santiago. Ele foi preso na manhã de domingo em cumprimento a um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. O delegado Maurício Luciano, titular da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão) e responsável pelas investigações, disse que Fábio já foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado e crime de explosão e que a pena pode chegar a 35 anos de reclusão.

De acordo com o delegado, Fábio está colaborando com as investigações, mas ainda não é possível afirmar se ele entrará no programa de delação premiada. A defesa do rapaz e a polícia estão em negociação, para que o tatuador possa colaborar ainda mais com a investigação.

Fábio afirmou à polícia não saber o nome do segundo suspeito de participar da explosão que resultou na morte do cinegrafista. Segundo o advogado do jovem, Jonas Tadeu, seu cliente realmente não sabe o nome do homem apontado como o principal suspeito de ter acionado o explosivo que atingiu Santiago. Eles seriam apenas conhecidos de manifestações anteriores, já que Fábio era assíduo frequentador de protestos populares no Rio.

 

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