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Greve da PM na Bahia gera forte queda na economia

9 fev 2012
10h46
atualizado às 11h32

Marcele Facchinetti
Direto de Salvador

Desde o início da greve de policiais militares na Bahia, no dia 31 de janeiro, não foi só a área do entretenimento que sofreu mudanças em Salvador, com o cancelamento de dezenas de shows, peças teatrais e ensaios pré-carnavalescos. Outros setores da economia, principalmente os relacionados a hotéis, bares e restaurantes e a outras atividades ligadas ao turismo, padecem com a queda de faturamento.

Cancelamento do Carnaval de Salvador é citado em faixa carregada por manifestantes
Cancelamento do Carnaval de Salvador é citado em faixa carregada por manifestantes
Foto: Marcele Facchinetti / Especial para Terra

De acordo com o presidente do Conselho Baiano de Turismo, Silvio Pessoa, desde a última segunda-feira os hotéis não estão recebendo mais ligações para fechamentos de reservas de pacotes e os restaurantes já contabilizam 35% a menos de lucro. Mas, segundo Pessoa, apesar dos problemas, o trade turístico está confiante. "Mesmo com tantas dificuldades que o turismo tem sentido nos últimos dias, estamos confiantes que a situação não se prolongará. Acreditamos que o fim da greve acontecerá até esta sexta-feira, pois esse impasse não pode continuar. Não é bom para nenhum dos lados", comentou.

Para o empresário Antônio Portela, proprietário de restaurantes e casa de shows, a situação é ainda mais grave para quem oferece serviços no período da noite, quando as pessoas estão com ainda mais receio de sair. "Tivemos uma queda nas vendas de 70% nesta semana, pois, além de fechar as portas por dois dias, estamos encerrando as atividades mais cedo. Além disso, tive que cancelar shows confirmados para não deixar pessoas correndo riscos pelas ruas. Um prejuízo que não vamos conseguir recuperar", avaliou Portela.

As consequências da greve atingiram também a vendedora de acarajé Naira Santana, que atende há seis anos em um dos pontos mais procurados por turistas nacionais e estrangeiros, o Farol da Barra. "Nesta última semana, nossas vendas caíram cerca de 30%. Nessa época do ano fazemos os três turnos de produção para atendermos a demanda e, nem em um dos horários mais procurados, que é no pôr-do-sol, temos tido muitas vendas. É complicado", apontou a baiana.

Segundo a turista chilena Carmen Glória, há dois dias em Salvador, o sentimento ao sair nas ruas é de total insegurança e instabilidade. "Não sabemos para onde ir, onde podemos caminhar com tranquilidade. A minha sorte é que meu pacote turístico não inclui o Carnaval, porque, se eu ainda estivesse na cidade, provavelmente mudaria meu retorno e iria curtir o período em outra cidade brasileira", disse.

Além de hotéis e setores da alimentação, outro setor que tem sido afetado pela falta de pessoas nas ruas é o serviço de táxi. Raul Fraga, taxista há pelo menos 22 anos, explicou que, apesar da legitimidade dos argumentos dos policiais, a greve não é boa e traz prejuízo para todos. "Nossa categoria teve 30% ou mais de queda no atendimento. Quem está na cidade não quer sair de casa, do hotel e até dos cruzeiros. A cidade está mais vazia. Estão todos com medo", comentou o taxista.

Carnaval
O empresário Antônio Portela lamentou que o problema da greve tenha estourado exatamente nesse período, às vésperas da festa mais importante de Salvador, o Carnaval. "O comércio espera o ano todo para chegar o Carnaval e a greve chega agora e todos perdem o que investiram. Há ainda o problema de muitos turistas deixarem realmente de vir à cidade, pois normalmente as pessoas se preparam com antecedência e não decidem na última hora. O povo não pode ser penalizado com a incompetência das autoridades competentes. É desestimulante", desabafou.

Para a vendedora de acarajé Naira Santana, é grande a expectativa para o Carnaval. "Nesse momento, os turistas estão afugentados e com medo de sair dos hotéis. Espero que o nosso Carnaval, que é uma grande festa de rua, continue sendo lembrado pela segurança, que sempre foi um dos seus pontos fortes", disse Naira.

Fonte: Especial para Terra

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