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Em São Paulo, polícia dispersa protesto de apoio a atos no Rio

26 jul 2013
23h28
atualizado às 23h36
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A Polícia Militar reprimiu com bombas de gás lacrimogêneo a manifestação desta noite na capital paulista contra a violência policial nos protestos do Rio de Janeiro. O ato começou na avenida Paulista, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp), e seguiu bloqueando a via no sentido Paraíso.

<p>Protesto acabou sendo dispersado pela polícia</p>
Protesto acabou sendo dispersado pela polícia
Foto: Tiago Mazza / Futura Press
<p>Van da Rede Record foi depredado por manifestantes</p>
Van da Rede Record foi depredado por manifestantes
Foto: Tiago Mazza / Futura Press

No trajeto, pessoas mascaradas depredaram ao menos oito agências bancárias, fizeram pichações e quebraram semáforos. Em seguida. o grupo de 400 pessoas, segundo a PM, seguiram pela avenida 23 de Maio em direção ao Centro. No caminho, os baderneiros depredaram e tentaram incendiar um carro da Rede Record.

Os atos de vandalismo foram condenados por parte dos manifestantes que defendiam o protesto sem violência. Eles gritavam pedindo uma manifestação sem vandalismo, e os baderneiros respondiam: "Sem moralismo". Além da bandeira vermelha e negra, símbolo do movimento anarquista, os manifestantes levavam uma faixa pedindo a saída do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. 

O grupo também gritava palavras de ordem lembrando o caso do pedreiro Amarildo de Souza, morador da favela da Rocinha, que desapareceu há mais de dez dias, depois de ser levado por policiais para uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade.

A PM começou a reprimir o protesto na altura da rua Pedroso, quando os manifestantes atacavam a fachada de uma concessionária de veículos. A PM não tinha informações sobre detidos. A partir da ação policial, o grupo se dispersou pelas ruas da região da Liberdade. 

Protestos contra tarifas mobilizam população e desafiam governos de todo o País
Mobilizados contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um significado ainda não plenamente compreendido.

A mobilização começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho, quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a polícia.

A grandeza do protesto e a violência dos confrontos expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes, mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de mobilização e confrontos em São PauloRio de JaneiroCuritibaSalvadorFortalezaPorto Alegre e Brasília.

A onda de protestos mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular singular na história brasileira desde a restauração do regime democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.

Agência Brasil Agência Brasil
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