0

Em novo ataque, mais um carro é queimado no Rio de Janeiro

24 nov 2010
01h08
atualizado às 14h10

Nem o policiamento redobrado nas ruas e as operações nas favelas conseguiram impedir mais ataques no Rio de Janeiro. Por volta das 23h de terça-feira, criminosos incendiaram um Voyage na Av. Paulo de Frontin. De acordo com a polícia, o carro foi roubado no dia 18 de outubro em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Após incendiar o veículo, os bandidos fugiram a pé. Na Praça do Relógio, em Duque de Caxias, criminosos dispararam contra mais uma cabine da Polícia Militar. Ninguém saiu ferido.

Carro foi incendiado na Av. Paulo de Frontin, pista sentido Centro, esquina com a Rua Santa Amélia, no Rio Comprido
Carro foi incendiado na Av. Paulo de Frontin, pista sentido Centro, esquina com a Rua Santa Amélia, no Rio Comprido
Foto: Alcyr Cavalcante / O Dia

Morador do Rio Comprido, Adriano Franco assustou-se com as duas explosões seguidas depois que os criminosos atearam fogo ao veículo. "A gente vê as cenas de carros incendiados na TV e não imagina que um dia pode acontecer na porta de sua casa. A violência no Rio é assustadora", afirmou. A polícia fechou o trânsito na pista sentido Centro entre as ruas Santa Amélia e João Paulo I.

O incêndio a mais um carro, o 19º em 16 dias no Grande Rio, acontece horas depois de o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, anunciar patrulhamento redobrado nas ruas contra os bandidos incendiários.

Violência
A onda de ataques teve início na tarde de domingo, quando homens armados com fuzis atearam fogo em dois carros na Linha Vermelha, sentido Centro, na altura da rodovia Washington Luis. Seis criminosos em dois carros abordaram três veículos por volta das 13h. Eles roubaram todos os pertences dos donos dos veículos e incendiaram dois destes carros, abandonando o terceiro.

Enquanto fugia, o grupo atacou um carro oficial do Comando da Aeronáutica (Comaer) que andava em velocidade reduzida na Linha Vermelha devido a uma pane mecânica. A quadrilha chegou a arremessar uma granada contra o utilitário Doblò. O ocupante do veículo, o sargento da Aeronáutica Renato Fernandes da Silva, conseguiu escapar ileso.

Ainda no domingo, em arrastão na Via Dutra, uma quadrilha armada bloqueou um trecho da pista sentido São Paulo, na altura de Pavuna, e roubaram um Kia Cerato e um Prisma. Na ação, uma das vítimas, identificada como Guilherme Feitosa da Silva, 26 anos, foi baleado na cabeça e levado em estado grave para o Hospital Getúlio Vargas.

Na manhã de segunda-feira, cinco bandidos armados atacaram motoristas no Trevo das Margaridas, próximo à avenida Brasil, em Irajá, também na zona norte. Os criminosos roubaram e incendiaram três veículos - uma van de passageiros que fazia o trajeto de Belford Roxo para o Centro -, além de um Monza e um Uno. Também na segunda pela manhã, criminosos armados com fuzis atiraram em uma cabine da PM na rua Monsenhor Félix, em frente ao Cemitério de Irajá. A PM acredita que o incidente tenha sido provocado pelos mesmos bandidos que haviam incendiado os três carros no Trevo das Margaridas.

À noite, criminosos incendiaram dois carros na rodovia Presidente Dutra, sentido Capital, na altura da Pavuna. Na zona norte, uma cabine da Polícia Militar (PM) foi metralhada próximo ao shopping Nova América, em Del Castilho.

Já na manhã desta terça-feira, dois homens em um foram mortos a tiros em um Honda Civic na rodovia Washington Luís, altura do km 122. Segundo a Polícia Militar, não há relação entre este crime e a onda de ataques.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, atribuiu a escalada de violência à atuação do Estado no combate à criminalidade nas favelas. "Sem dúvidas isso tem relação com a nossa política de segurança pública", afirmou, referindo-se à implantação de unidades de polícia pacificadora (UPPs).

Nesta terça-feira, a cúpula da Polícia Militar anunciou a operação "Fecha Quartel", que prevê a utilização de todos os homens nas ruas com o objetivo de reforçar o patrulhamento. A PM informou que reduzirá as folgas dos policiais gradativamente até o ano que vem, além de prometer a contratação de 7 mil policiais. Para o combate ao crime, a corporação ainda utilizará o Batalhão de Choque e 140 motocicletas.

O Dia

Colaborou com esta notícia o internauta Hugo Ribeiro, do Rio de Janeiro (RJ), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

vc repórter
publicidade