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Em carta, atirador pede sepultamento em ritual islâmico

7 abr 2011
16h54
atualizado às 18h50
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O atirador Wellington Menezes, que matou 11 crianças antes de se matar após invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, deixou uma carta na qual pede para ser sepultado de acordo com os rituais islâmicos, segundo confirma a União Nacional das Entidades Islâmicas do Brasil. No entanto, a organização deixa claro, em nota, que ele não tinha vínculos com a representação e a religião muçulmana.

Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, foi baleado e se matou
Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, foi baleado e se matou
Foto: Jadson Marques / Agência Estado

Veja localização de escola invadida por atirador

Na carta, Wellington pede para que as pessoas impuras não toquem seu corpo. "Os impuros não poderão me tocar sem usar luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas", diz ele em trecho no qual afirma que "nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão".

Nas instruções que deixa sobre seu sepultamento, Wellington pede que sua vestimenta seja retirada, que ele seja banhado e depois enrolado em um lençol branco nos mesmos moldes do que é feito em rituais fúnebres do islamismo. De acordo com a entidade islâmica, nesse tipo de ritual, um líder religioso faz orações, lava o corpo, corta e limpa atrás das unhas, e depois a pessoa é enrolada em um lençol branco.

Wellington pede ainda que "um fiel seguidor de Deus" visite sua sepultura pelo menos uma vez. "... preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida eterna". Jesus, para os islâmicos, é um dos um dos maiores mensageiros de Deus.

De acordo a irmã de criação do atirador Rosilane Menezes de Oliveira, 49 anos, em entrevista à rádio Band News , Wellington tinha um comportamento estranho, usava excessivamente o computador, não tinha amigos, saía pouco para a rua, vivia isolado, falava frequentemente coisas ininteligíveis sobre islamismo e havia deixado a barba crescer.

Segundo a entidade islâmica, a informação de que Wellington seria praticante da região islâmica foi levantada por jornalistas que entrevistaram Rosilane, já que ela mesma teria dito que a família era evangélica.

Atentado
Um homem matou pelo menos 11 crianças a tiros após invadir uma sala de aula da Escola Municipal Tasso da Silveira, no Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta quinta-feira. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da escola e se suicidou logo após o atentado. Testemunhas relataram que o homem portava mais de uma arma.

Wellington entrou na instituição alegando ser palestrante, e as razões para o ataque ainda são desconhecidas. O comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar, coronel Djalma Beltrame, afirmou que o atirador deixou uma carta de "teor fundamentalista", com frases desconexas e incompreensíveis e menções ao islamismo e a práticas terroristas. Os feridos foram levados para os hospitais estaduais Albert Schweitzer (que recebeu a maior parte das vítimas) e Adão Pereira Nunes, o Hospital Universitário Pedro Ernesto, o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia e o Hospital da Polícia Militar.

Terra

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