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Edmundo se surpreendeu com horário da prisão, diz delegado

16 jun 2011
08h31
atualizado às 12h08
Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

O ex-jogador e atual comentarista esportivo Edmundo Alves de Souza Neto, 40 anos, reagiu com surpresa à chegada dos policiais ao apartamento onde estava hospedado em um flat em São Paulo, segundo o delegado Eduardo Castanheira, da 3ª Delegacia Seccional. De acordo com Castanheira, Edmundo não esperava ser abordado de madrugada, mas se manteve calmo durante a prisão.

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Ao ser informado sobre o cumprimento do mandado de prisão, o ex-jogador telefonou para seus advogados e sua família, à espera de orientações. Castanheira disse que a transferência depende ainda da celeridade de trâmites judiciais. "A transferência do Edmundo vai depender da agilidade da Justiça do Rio de Janeiro. Ele tem um mandado de prisão válido e ficará detido até que haja o posicionamento da Justiça", afirmou.

O delegado aguarda um posicionamento da Justiça fluminense para determinar o local onde Edmundo será acomodado. Caso haja a confirmação, até o final da tarde, da busca do ex-atacante, ele será mantido em uma sala da 3ª Delegacia Seccional, onde passou a noite. Caso contrário, será levado a uma cela do centro de detenção provisória de Pinheiros.

O ex-jogador, que estava foragido após ter um mandado de prisão expedido no Rio de Janeiro, foi encontrado em um flat, localizado na rua Amauri, 513, no Itaim Bibi, zona sul da capital, por meio de uma denúncia anônima. A polícia chegou ao local à 0h30 e foi recebida pelo comentarista, que estava calmo. Edmundo, depois de ligar para o advogado, foi conduzido à 3ª Delegacia Seccional.

Durante a madrugada, Edmundo ficou acomodado sozinho em uma sala da delegacia com portas de vidro. Jornalistas aguardavam por novidades ao lado de fora desta sala. Aparentemente tranquilo, mas abatido segundo os policiais que tiveram um contato mais próximo, o ex-atacante recebeu um advogado, que levou leite com chocolate, o único alimento que ingeriu durante o período no qual ficou na sala.

Pela manhã, Edmundo foi levado ao Instituto Médico Legal (IML), onde fez exame de corpo de delito. Ele não quis falar com a imprensa no trajeto. O comentarista deixou o local em uma viatura descaracterizada da Polícia Civil, uma Parati vermelha. De acordo com a polícia, Edmundo ficará numa cela, sozinho, até que seja providenciada a sua transferência para o Rio de Janeiro.

Três mortes na Lagoa


Na madrugada do dia 2 de dezembro de 1995, quando saía de uma boate na Lagoa, zona sul do Rio de Janeiro, o então jogador do Flamengo chocou seu Jeep Grand Cherokee com um Fiat Uno. No acidente, morreram Joana Maria Martins Couto, Carlos Frederico Britis Tinoco e Alessandra Cristini Pericier Perrota, que estavam no outro automóvel. Outras três pessoas ficaram feridas - Roberta Rodrigues de Barros Campos, Débora Ferreira da Silva e Natascha Marinho Ketzer. O laudo da perícia apontou que o jogador estava em alta velocidade.

Em março de 1999, Edmundo foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão, em regime semiaberto. O ex-jogador chegou a passar uma noite na cadeia em função dos homicídios culposos de três pessoas e lesões corporais - também culposas - nas outras três vítimas.

A defesa de Edmundo recorreu, mas a 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça manteve a decisão no dia 5 de outubro de 1999. Em 2008, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou a oitava tentativa do ex-jogador de anular a condenação e manteve a pena.

Na última terça-feira, o juiz Carlos Eduardo Carvalho de Figueiredo, da Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro, determinou a expedição de mandado de prisão contra Edmundo. Segundo o advogado Arthur Lavigne, que representa Edmundo, o processo está prescrito desde 2007. "Em 2010, o Ministério Público reconheceu a prescrição e tanto a defesa quanto a acusação concordaram. O juiz, que é novo na Vara, entendeu que não havia prescrição. Não sei qual é a fundamentação dele. (...) Estamos todos surpresos, é uma decisão sem cabimento", disse Lavigne. Entretanto, para o juiz, ainda não ocorreu o lapso temporal exigido pela lei para prescrever a condenação, que no caso do ex-jogador é de 12 anos.

Fonte: Terra
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