Polícia

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02 de outubro de 2013 • 16h46 • atualizado às 17h01

Delegado confirma tortura de Amarildo; polícia não sabe onde está o corpo

O documento indicia dez policiais lotados à época na UPP, entre eles o ex-comandante da unidade, major Edson dos Santos

O delegado Rivaldo Barbosa, da Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro, confirmou nesta quarta-feira que a Polícia Civil fluminense encaminhou ao Ministério Público (MP) do Estado a conclusão do inquérito sobre o desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarido de Souza, 47 anos, apontando que ele foi torturado. Amarildo sumiu no dia 14 de julho depois de ser levado para a sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha. Ao todo, dez PMs foram indiciados, mas o paradeiro de Amarildo é desconhecido. O delegado não deu nenhum detalhe sobre como a tortura foi realizada.

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"Apuramos que ele foi torturado, há um conjunto de provas e inteligência para termos chegados a esse detalhe da investigação", ressaltou Barbosa, que negou que Amarildo tenha sido torturado dentro de um contêiner. O documento indicia dez policiais lotados à época na UPP, entre eles o ex-comandante da unidade, major Edson dos Santos. Todos vão responder pelos crimes de tortura seguida de morte e ocultação de cadáver. O promotor de Justiça, Homero de Freitas, encarregado do caso, disse que vai oferecer denúncia contra os acusados nos próximos dias.

O advogado da família de Amarildo, João Tancredo, afirmou que, ao tomar conhecimento da conclusão do inquérito, ligou para Bete, mulher de Amarildo, e declarou que não esperava resultado diferente. Segundo ele, Amarildo foi levado para a sede da UPP, onde foi torturado e morto.

"Os policiais que prenderam Amarildo disseram que, depois de ouvi-lo, o liberam para ir para casa na noite de 14 de julho. Inclusive, o major Edson disse que cumprimentou Amarildo e entregou os documentos a ele."

O advogado João Tancredo explicou que se Amarildo tivesse ido para casa, pelo caminho apontado pelos militares, que leva à localidade conhecida como Dioneia, a câmera instalada 10 metros à frente teria registrado a presença do ajudante de pedreiro descendo as escadarias em direção à casa onde morava, e, segundo ele, não há imagens da vítima deixando a UPP. "Outras duas câmeras de segurança estavam desligadas ou queimadas, mas essa de acesso à Dioneia e a outra instalada no portão vermelho estavam funcionando e não mostram Amarildo deixando a unidade", disse.

Terra