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13 de dezembro de 2013 • 09h40

'Daqui a 20 anos, o que será da favela?', diz Beltrame sobre 5 anos de UPP

 

A Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio de Janeiro completa no dia 19 de dezembro cinco anos. Para o secretário de Segurança do Estado, José Mariano Beltrame, 56 anos, a necessidade do projeto está bem clara e não há dúvidas quanto aos seus resultados. "Ou é UPP ou é a velha lógica do fuzil na favela. Todos sabemos quais são os efeitos das UPPs no curto prazo. O morador do morro fica aliviado e o do asfalto, muito feliz com o fim dos tiros", analisou em entrevista ao jornal O Globo. Ele também considerou essencial uma projeção a respeito. "A grande questão que ainda está mal resolvida é o que o Rio quer fazer das UPPs no longo prazo. Daqui a 20 anos o que será da favela? A reconquista do território é uma janela de oportunidade para a transformação daquele espaço público", alegou.

Para Beltrame, que em janeiro completa sete anos a frente da secretaria, essa questão vai muito além da instalação de escola e posto de saúde. "A favela precisa de acesso, de canos, de transporte coletivo, de ar livre, de uma verdadeira malha que transforme a cara desses lugares. Mudar essa realidade vai exigir que algumas famílias troquem de endereço para a obra passar. Mas os ganhos serão irreversíveis para dezenas de milhares de famílias pobres, fora os ganhos indiretos para a cidade", analisou. Segundo ele, a discussão das remoções precisa ocorrer. "Ninguém tem coragem. Hoje remoção é tabu, é palavra proibida, porque colocaram ideologia no debate. Hoje há conhecimento, tecnologia e solução urbanística para dar esta guinada definitiva. E quem deve bancar somos todos nós, público e privado, porque o benefício é generalizado", completou.

O secretário disse que não se surpreende quanto aos recentes ataques a policiais em áreas com UPP. "O problema é que as pessoas imaginavam que todas as favelas seriam iguais ao Dona Marta. Só que estamos em complexos, como o Alemão, que são mais populosos que a grande maioria dos municípios brasileiros. A polícia tem mais dificuldade neste espaços acidentados e superconcentrados de gente", afirmou. Beltrame também falou sobre episódios como o ocorrido na favela da Rocinha, que resultou na morte de Amarildo de Souza, e em Manguinhos, onde alguns moradores acusam policias da UPP de envolvimento nas mortes de Paulo Roberto Pinho Menezes e Matheus de Oliveira Case. Para ele, é preciso atacar em "três variáveis": treinamento adequado, punição exemplar e tempo para "mudar a cabeça das pessoas". "Eu coloco estas questões aqui da favela para além da polícia, mas em hipótese alguma o aparato policial pode deixar de olhar para suas fraquezas, para suas mazelas, para sua cultura. A questão é que o trem não pode parar. Temos que corrigir os rumos com ele andando. Não posso conceber o Rio hoje sem as UPPs, sem os alívios que elas trouxeram", considerou.

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