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Cinco acusados de matar Celso Daniel vão a júri em SP

8 mai 2012
07h49

Mais de uma década após o crime, cinco acusados de matar Celso Daniel (PT), prefeito de Santo André, no ABC Paulista, serão julgados a partir de quinta-feira, no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Apontado como mandante, o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, que está em liberdade, não sentará no banco dos réus porque apresentou recursos contra a sentença. Até hoje, apenas Marcos Roberto Bispo dos Santos, o Marquinhos, foi levado a júri, em novembro de 2010. As informações são do jornal O Globo.

O promotor Francisco Cembranelli e o juiz Antonio Augusto Galvão, no julgamento do caso Celso Daniel nesta quinta-feira
O promotor Francisco Cembranelli e o juiz Antonio Augusto Galvão, no julgamento do caso Celso Daniel nesta quinta-feira
Foto: Reinaldo Marques / Terra

Serão julgados agora Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro; Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira, o Bozinho; Elcy Oliveira Brito, o Jonh; Itamar Messias Silva dos Santos e José Edison da Silva. Eles teriam sido contratados por Sombra, segundo o Ministério Público, para sequestrar e matar Celso Daniel. John admitiu em depoimento que foi contratado para matar o prefeito petista. Monstro confessou envolvimento no crime, já José Edison e Bozinho confirmaram participação à polícia, mas negaram em juízo.

A morte de Celso Daniel
Então prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT) foi sequestrado em 18 de janeiro de 2002, quando saía de um jantar. O empresário e amigo Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, estava no carro com ele quando foi rendido. O político foi levado para um cativeiro na favela Pantanal, em Diadema (Grande ABC), e, depois, para uma chácara em Juquitiba, a 78 km de São Paulo, sendo assassinado a tiros dois dias depois. Na época, o inquérito policial concluiu que Celso Daniel teria sido sequestrado por engano e acabou morto por uma confusão nas ordens do chefe da quadrilha. Mas a família solicitou a reabertura das investigações ao Ministério Público.

As novas averiguações apontaram que a morte de Celso Daniel foi premeditada. As contradições entre as declarações de Sombra e as perícias feitas pela polícia lançaram suspeitas sobre o amigo do então prefeito. Ele havia dito que houve problemas nas travas elétricas do carro em que os dois estavam, que houve tiroteio com os bandidos e que o carro morreu. Mas a perícia da polícia desmentiu todas as alegações.

O MP denunciou sete pessoas como executoras do crime, sendo que Sombra foi apontado como o mandante do assassinato. Ele foi denunciado por homicídio triplamente qualificado - por ter contratado os assassinos, pela abordagem ter impedido a defesa da vítima e porque o crime garantiria a execução de outros. De acordo com o MP, o empresário fazia parte de um esquema de corrupção na prefeitura de Santo André que recebia propina de empresas de transporte, mas Celso Daniel teria tomado providências para acabar com a fraude, o que motivou a morte. Ele nega a acusação.

A Justiça decidiu levar todos os acusados a júri popular. Além de Sombra, José Edson da Silva, Elcy Oliveira Brito, Ivan Rodrigues da Silva, Itamar Messias Silva dos Santos e Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira serão julgados pela prática de homicídio qualificado (por motivo torpe, mediante paga ou promessa de recompensa e por impossibilitar a defesa da vítima), cuja pena máxima é de 30 anos de reclusão. Em novembro de 2010 aconteceu a primeira condenação do caso: Marcos Roberto Bispo dos Santos pegou 18 anos de prisão em regime fechado.

Fonte: Terra
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