Polícia

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10 de fevereiro de 2012 • 22h52 • atualizado às 05h40

Chefe do Estado Maior da PM do RJ: 'momento mais tenso já passou'

Segundo informações dos grevistas, 30% do efetivo do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil ficarão à disposição para casos de emergência
Foto: Luiz Gomes / Futura Press
 

Para o chefe do Estado Maior Administrativo da PM do Rio de Janeiro, coronel Robson Rodrigues da Silva, a situação "está controlada" com as "medidas enérgicas" tomadas pela Polícia Militar para conter a greve da corporação nesta sexta-feira.

Após o anúncio da greve por parte de policiais na noite da última quinta-feira, o comando da PM reagiu nesta sexta para reprimir o movimento. Segundo Rodrigues, até o início da noite de hoje foram realizadas 16 prisões (nove por mandados expedidos e sete por flagrante) e 129 detenções. Os policiais detidos serão indiciados, mas responderão ao processo em liberdade.

"Foram medidas duras, mas o comando não teve alternativa dado o risco oferecido à tranquilidade da sociedade", diz Rodrigues à BBC Brasil, afirmando que a greve deixaria a cidade refém às vésperas do carnaval.

"A demonstração rápida do comando (da PM) fez com que essas pessoas (os policiais grevistas) fossem dissuadidas de continuar. Se tivesse havido vacilação por parte do comando, as pessoas poderiam insistir em continuar a mobilização e incitar outros (a aderir)."

Salvador
A repressão à greve no Rio busca evitar a escalada de violência que ocorreu na Bahia. Desde o início da paralisação, há dez dias, a região metropolitana de Salvador registrou 136 homicídios.

No Rio, Rodrigues afirma que o gabinete de gerenciamento de crise da PM vai continuar operando nos próximos dias para encontrar focos de greve e buscar desmobilizá-los.

No cenário atual, ele afirma que não será preciso recorrer à ajuda do governo federal, que disponibilizaria 14 mil homens do Exército e 300 da Força Nacional de Segurança para um plano de contingência.

Os policiais indiciados terão suas condutas investigadas individualmente e poderão sofrer processo criminal ou administrativo. "Em ambos os casos, dependendo do grau da transgressão, eles podem ser excluídos da corporação", diz Rodrigues.

Perguntado sobre a reivindicação dos policiais por melhores salários, o coronel diz que "os policiais que não tiveram uma atitude tão irresponsável para deixar uma sociedade refém são merecedores".

Salários
Cerca de dois mil policiais militares, civis e bombeiros votaram pela greve na quinta-feira, reivindicando piso salarial de R$ 3.500, além de R$ 350 de vale transporte e o mesmo valor de vale-refeição.

Mas Rodrigues afirmam que as negociações têm que ser feitas pelo comando da PM e que o governo do Estado já concedeu alguns benefícios aos policiais até o ano que vem.

"Os policiais estão ansiosos por uma melhoria e a PM tem mostrado um serviço interessante. Mas sabemos que há um processo para negociações legítimas e não é interessante lançar mão de outros artifícios que não o diálogo", diz.

"O que não pode acontecer é o atravessamento desse processo de diálogo. O que está se desenhando aí é uma conotação política, e isso não é interessante para a gente", afirma Rodrigues.

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