Caso Goleiro Bruno
 
 

Notícias » Brasil » Polícia » Polícia

 Após Bruno, Macarrão nega plano para matar juíza e mais 4
21 de dezembro de 2011 16h12 atualizado às 16h51

Luiz Henrique Romão deixou a prisão para, escoltado, prestar depoimento sobre plano de execução. Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Luiz Henrique Romão deixou a prisão para, escoltado, prestar depoimento sobre plano de execução
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, amigo do ex-goleiro do Flamengo Bruno, negou nesta quarta-feira envolvimento em um suposto plano para matar a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do Fórum de Contagem (MG); o delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa de Belo Horizonte (DHPP); o deputado estadual Durval Ângelo (PT-MG); o advogado José Arteiro Cavalcante Lima, representante de Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio; e também o advogado Ércio Quaresma, ex-defensor de Bruno, atual advogado do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. O objetivo teria sido denunciado por um detento que dividiu cela com Bola na Penitenciária Nelson Hungria, onde ele, Bruno e Macarrão aguardam julgamento pelo desaparecimento de Eliza.

A informação de que Quaresma também estaria entre os alvos foi revelada hoje pela Polícia Civil mineira. Na terça-feira, Bruno prestou depoimento na Divisão Especializada de Operações Especiais (Deoesp). "Assim como fez o Bruno ontem aqui nessa divisão, o Luiz Henrique negou saber ou ter qualquer envolvimento nesse suposto plano arquitetado para matar essas pessoas", disse o delegado Islande Batista, chefe do Deoesp.

Segundo o presidiário Jailson Alves de Oliveira, que teria ouvido de Bola sobre a trama, o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, chefe do tráfico da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, seria a pessoa contatada por Bruno e pelo ex-policial para executar o plano. O delegado Batista disse que Nem, preso em uma penitenciária federal no Mato Grosso do Sul, "será ouvido por meio de carta precatória em breve".

"O Macarrão disse que não conhece o Nem da Rocinha e também não tem contatos com traficantes do Rio de Janeiro. Ele afirmou que ficou sabendo da conversa denunciada pelo detento na cadeia, mas nunca viu essa pessoa", completou o delegado.

De acordo com Batista, se ficar comprovado a denúncia feita pelo detento é falsa, Oliveira será indiciado pelo crime de denunciação caluniosa. "O ônus da prova cabe sempre a quem alega. Se ele não provar...", disse.

Na quinta-feira será a vez do ex-policial Bola prestar depoimento também no Deoesp.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Terra
  1. Luiz Henrique Romão deixou a prisão para, escoltado, prestar depoimento sobre plano de execução

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

  2. O amigo do ex-goleiro do Flamengo Bruno negou envolvimento na trama para matar uma juíza, um deputado, um delegado e dois advogados

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

  3. O plano foi denunciado por um detento que dividiu cela com o ex-policial Bola, preso em Contagem (MG), assim como Bruno e Macarrão

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

  4. O delegado Islande Batista confirmou que o advogado Ércio Quaresma seria um dos alvos

    Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

/brasil/policia/casobruno/foto/0,,00.html