Segundo o advogado, Bruno negou conhecimento das ameaças porque não conhece o preso que fez as denúncias
Foto: Cristiano Trad/O Tempo/Futura Press
- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
Terminou, por volta das 16h45 desta terça-feira, o depoimento do ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes no Departamento Estadual de Operações Especiais da Polícia Civil (Deoesp), em Belo Horizonte. Bruno se apresentou para o delegado Islande Batista, chefe do Departamento de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio, ao qual é subordinado a Deoesp, para falar sobre as acusações de que teria traçado um plano para matar a juíza Marixa Fabiane Lopes, do Tribunal do Júri de Contagem; o delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Homicídios de Belo Horizonte; o deputado estadual Durval Ângelo (PT-MG); e o advogado José Arteiro Cavalcante Lima, que representa Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno.
Em seu depoimento, Bruno negou as acusações, que ainda colocam o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, como ajudante no caso. A denúncia partiu do presidiário Jaílson Oliveira, que dividiu cela com Bola na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem. De acordo com o preso, a noiva de Bruno, Ingrid Calheiros, seria a responsável de entrar em contato com traficantes do Rio de Janeiro, entre eles o ex-chefe do tráfico na Rocinha, Nem, para executar os assassinatos.
De acordo com o advogado de Bruno, Francisco Sinim, o ex-atleta negou conhecimento das ameaças porque não conhece o preso que fez as denúncias. Após Bruno deixou o local de cabeça baixa, mas sorrindo.
Em outubro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de habeas-corpus para o atleta. O relator, ministro Sebastião Reis Júnior, baseou sua decisão na "periculosidade do réu".
O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.
No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.
- Terra


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