Caso Goleiro Bruno
 
 

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 MG: Bruno e Macarrão se recusam a depor sobre agressão a Eliza
22 de setembro de 2011 20h42 atualizado às 21h02

Bruno é acompanhado por policiais para prestar depoimento no 5º DP. Foto: Lucas Prates/Futura Press

Bruno é acompanhado por policiais para prestar depoimento no 5º DP
Foto: Lucas Prates/Futura Press

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

O ex-goleiro Bruno Fernandes de Souza e o amigo dele, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, foram na tarde desta quinta-feira ao 5º Distrito Policial de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, para prestar depoimento solicitado por meio de carta precatória expedida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. O documento procura apurar a suposta agressão sofrida por Eliza Samudio oito meses antes do seu desaparecimento, ocorrido em 4 de junho de 2010, para que ela sofresse um aborto do filho que então esperava.

Mesmo com a convocação, Bruno e Macarrão se negaram a falar. Segundo o delegado João da Silva Lisboa, ambos alegaram "que estavam desacompanhados de seus advogados" e não depuseram. O distrito policial está localizado próximo à Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, onde os dois estão presos desde julho do ano passado.

"Essa carta (precatória ) chegou para nós em 29 de agosto e continha basicamente duas perguntas que poderiam se desdobrar em outras. Os questionamentos eram envolvendo os dois (Bruno e Macarrão) e uma terceira pessoa na época que estaria com eles e Eliza no Rio de Janeiro. E é justamente o que se procura saber, quem é essa terceira pessoa," disse Lisboa. "Seria um homem, segundo disse a Eliza em depoimentos na época," afirmou.

O caso Bruno
No ano anterior de seu desaparecimento, Elisa já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Especial para Terra
  1. Bruno é acompanhado por policiais para prestar depoimento no 5º DP

    Foto: Lucas Prates/Futura Press

  2. Ex-goleiro chegou à delegacia em um camburão da polícia

    Foto: Lucas Prates/Futura Press

  3. Macarrão também prestou depoimento na unidade

    Foto: Lucas Prates/Futura Press

  4. Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio

    Foto: Lucas Prates/Futura Press

  5. Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno

    Foto: Lucas Prates/Futura Press

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