Caso Goleiro Bruno
 
 

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 MG: deputado diz que Bruno falará tudo sobre suposta extorsão
17 de junho de 2011 18h03 atualizado em 18 de junho de 2011 às 18h34

Deputado diz que Bruno falará sobre contato com juíza

José Guilherme Camargo
Direto de Belo Horizonte

Em audiência realizada nesta sexta-feira, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o deputado estadual Durval Ângelo (PT) afirmou que vai ouvir o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, na próxima semana, na penitenciária onde está preso, para saber a versão do jogador sobre o caso de extorsão a sua noiva. Ele deve, também, confirmar uma possível visita da juíza Maria José Starling ao presídio. "O Bruno comunicou à comissão, através da própria Ingrid (Calheiros, noiva do atleta), e disse que está disposto a ser ouvido e contar tudo o que ele sabe desse caso", disse o deputado.

O deputado, que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, disse que o advogado de Bruno, Cláudio Dalledone, vai pedir escolta policial a Ingrid. Segundo o político, ela estaria com medo de ir a Belo Horizonte, pois teria sofrido ameaças de um policial civil na porta da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, região metropolitana da capital.

Ingrid era esperada na comissão para prestar esclarecimentos sobre o suposto acordo entre ela, a juíza Maria José Starling e o ex-advogado de Bruno, Robson Pinheiro, para libertar o jogador da prisão, mas não compareceu à audiência. No depoimento que a noiva do goleiro prestou à comissão e à Ordem dos Advogados do Brasil de Minas Gerais (OAB-MG), ela disse que foi ameaçada por um policial, que se identificou como Leandro. Tudo ocorreu depois que Indrid teria cancelado um contrato com a juíza e o advogado. Nele, o goleiro seria libertado mediante pagamento.

Segundo o deputado, ela disse que o policial chegou a mostrar um revólver, além de afirmar para "ela pensar bem no que estava fazendo" e que "a juíza era muito influente". Segundo a apuração da Comissão de Direitos Humanos, a magistrada teria procurado Ingrid, por intermédio de Pinheiro, e apresentado um plano para libertar o goleiro Bruno da prisão. Em troca, a família do jogador deveria pagar R$ 1,5 milhão pelo serviço em até 48h depois da libertação. Mas a noiva desconfiou da ação do advogado, depois que ele pediu o dinheiro uma semana antes de impetrar o habeas-corpus.

O caso foi levado pela Comissão de Direitos Humanos ao Conselho Nacional de Justiça e para a corregedoria do Tribunal de Justiça, que investigam a conduta da juíza, que segundo o deputado, acumula diversos processos. O advogado Robson Pinheiro também é investigado no conselho de ética da OAB-MG.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Especial para Terra