Caso Goleiro Bruno
 
 

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 Após denúncia de noiva, defesa de Bruno quer 'tranquilidade'
13 de junho de 2011 19h43 atualizado às 20h09

Quando assumiu a defesa de Bruno, Dalledone Junior protocolou diversos pedidos para que o ex-goleiro fosse solto. Foto: Alex de Jesus/Futura Press

Quando assumiu a defesa de Bruno, Dalledone Junior protocolou diversos pedidos para que o ex-goleiro fosse solto
Foto: Alex de Jesus/Futura Press

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

O criminalista paranaense Cláudio Dalledone Júnior, advogado do ex-goleiro Bruno, afirmou em nota nesta segunda-feira que espera que as denúncias feitas pela noiva do atleta possam ser apuradas e o caso, julgado com tranquilidade. "Esperamos que os órgãos responsáveis tomem as providências cabíveis aos fatos e que possamos, de uma vez por todas, tratar da defesa de Bruno Fernandes com tranquilidade".

O comentário de Dalledone Júnior se refere às denúncias feitas pela noiva do atleta, Ingrid Calheiros, à Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) e à Ouvidoria do Estado, acusando a juíza Maria José Staling (da Comarca de Esmeraldas-MG) e o advogado Robson Pinheiro (que prometeu tirar Bruno da cadeia em uma semana, no início deste ano) de terem exigido R$ 1,5 milhão para conseguir a liberdade do acusado.

"A situação tomou um contorno de teia criminosa e Ingrid Calheiros, de uma hora para outra, corria o risco até de ser presa, para que qualquer denúncia que fizesse ficasse desacreditada", disse Dalledone Júnior. Ele lamentou o ocorrido, e disse que atitudes como estas ferem a dignidade da advocacia; porém, acrescentou, as atuações do advogado e da juíza, segundo declarações e documentos exibidos por Ingrid, merecem severa e pronta apuração.

Dalledone afirma que Robson Pinheiro já defendeu a juíza em questões particulares e também foi procurador do município de Esmeraldas, ligação que indicaria uma possível irregularidade. Quando testemunhas do caso do sumiço e suposta morte da estudante Eliza Samúdio (ex-amante de Bruno) foram ouvidas no Fórum de Esmeraldas, a juíza se manifestou publicamente favorável à soltura do acusado. "Um juiz nunca se manifesta a respeito do caso que está tratando", afirmou.

A juíza também manteve contatos com Ingrid, acolheu-a em sua casa, forneceu número de telefone pessoal e trocou e-mails com ela, de acordo com a denúncia. De acordo com Dalledone Júnior, o deputado Durval Ângelo (PT-MG), que ouviu a jovem, informou que já foram feitas sete denúncias anteriores contra a magistrada, em outros casos supostamente irregulares, porém todas foram arquivadas.

Após receber a denúncia, a OAB-MG abriu processo disciplinar contra Robson Pinheiro. O advogado disse em nota que sua conduta sempre obedeceu "às normas éticas, legais e contratuais" e que rescindiu o contrato em fevereiro deste ano, quando o pedido de habeas corpus estava prestes a ser apresentado no TJ-MG.

Getúlio Barbosa Queiroz, advogado da juíza Maria José Staling, negou que sua cliente tenha tido qualquer participação no contrato. Ele acrescentou que a responsabilidade do caso é somente do advogado Robson Pinheiro.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Especial para Terra