Caso Goleiro Bruno
 
 

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 Pai de Eliza Samudio insiste em brigar pela guarda do neto
06 de junho de 2011 02h58

Tramitação do processo de guarda de Bruninho depende do julgamento dos recursos de acusação contra Luiz Carlos. Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Tramitação do processo de guarda de Bruninho depende do julgamento dos recursos de acusação contra Luiz Carlos
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Mesmo foragido da Justiça, com prisão provisória decretada no dia 12 de maio por abuso sexual, o pai da modelo Eliza Samudio, Luiz Carlos Samudio, insiste em brigar pela guarda do neto, Bruninho, atualmente com 1 ano e 3 meses. Tramita na Vara da Família de Foz do Iguaçu, Paraná, cidade onde Luiz Carlos tem casa, um processo de guarda definitiva do menino. Bruninho é filho de Eliza Samúdio, morta quando tentava provar que a criança é fruto de romance com o ex-goleiro do Flamengo Bruno, que é suspeito de envolvimento na morte.

A tramitação do processo de guarda de Bruninho depende do julgamento dos recursos de acusação contra Luiz Carlos. O pai da modelo foi condenado, em 2005, a oito anos de prisão acusado de abusar sexualmente de outra filha, M.S., quando esta tinha 10 anos, em 2003.

Vídeo o inocenta
O advogado de Luiz Carlos Samudio, Sérgio Barros da Silva, aguarda o julgamento de habeas-corpus impetrado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele apresentou recurso especial com declaração por escrito e gravada em vídeo onde a filha supostamente violentada inocenta o pai.

De acordo com o advogado, o pai da modelo não está foragido. Luiz Carlos, segundo ele, encontra-se na Argentina, onde trabalha em uma obra. O advogado acrescenta que Luiz Carlos chegou naquele país antes mesmo da prisão provisória por abuso sexual ter sido decretada.

Luiz Carlos chegou a ficar 15 dias com a guarda de Bruninho, entre os meses de junho e julho de 2010, logo após o desaparecimento da modelo. Mas perdeu a guarda da criança para a ex-mulher, Sônia de Fátima Moura, no dia 9 de julho de 2010. Desde então, Bruninho vive com a avó materna, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola serão levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

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