Caso Goleiro Bruno
 
 

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 Defesa diz que tentará levar Bruno e Macarrão de volta a MG
26 de agosto de 2010 15h11 atualizado às 15h17

Em julho, Bruno e Macarrão deixaram a Delegacia de Homicídios em camburão da polícia, no Rio. Foto: Fernando Soutello/Agif/Agência Estado

Em julho, Bruno e Macarrão deixaram a Delegacia de Homicídios em camburão da polícia, no Rio
Foto: Fernando Soutello/Agif/Agência Estado

O advogado Ercio Quaresma, que representa o goleiro Bruno Souza e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, afirmou nesta quinta-feira que tentará levar seus clientes de volta a Minas Gerais, onde estavam presos desde o início de julho. A Justiça determinou que os dois fiquem 30 dias no presídio de Bangu 2, no Rio de Janeiro, após a primeira audiência do processo de sequestro e lesão corporal contra Eliza Samudio. A agressão teria acontecido em outubro de 2009, quando a mulher estava grávida de cinco meses. Ela dizia ser Bruno o pai da criança.

Quaresma disse também que aconselhou seus clientes mais uma vez a não falar. Eles estão no Fórum de Jacarepaguá para acompanhar uma audiência de instrução e julgamento. Quaresma disse ainda que vai manter a linha de aconselhar seus clientes a não falar em nenhuma das audiências a que serão submetidos no Rio. O advogado tentará fazer com que seus clientes participem apenas através de cartas precatórias, só retornando ao Rio de Janeiro quando realmente tiverem de ser ouvidos.

Na chegada ao Fórum de Jacarepaguá, o advogado foi ovacionado por alguns torcedores do Flamengo, mas foi xingado por outra multidão de rubro-negros. A rua em frente ao fórum foi interditada pela Polícia Militar para facilitar o tráfego de pessoas.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

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