Sônia Moura pretende lutar pela guarda do neto
Foto: Futura Press
Se estiver realmente disposto a reconhecer a paternidade e pedir a guarda de Bruninho - filho da ex-amante Eliza Samudio, que está desaparecida -, o goleiro Bruno Souza terá, primeiro, que enfrentar a avó materna do bebê. Sônia Moura, que ganhou na Justiça o direito de cuidar do neto, não quer que o atleta se aproxime do menino e pretende contestar o pedido. Os advogados do jogador informaram que partiu dele a intenção de fazer exame de DNA e, caso o teste seja positivo, levar adiante a disputa pela guarda de Bruninho.
A advogada Maria Lúcia Borges, que defende os interesses da mãe de Eliza, disse que Sônia ficou muito abalada com a notícia e com as supostas declarações da defesa de Bruno. O advogado Ercio Quaresma teria dito que a avó de Bruninho abandonou a filha e, por isso, dificilmente ficaria com o neto.
"Depois de tudo o que fizeram com a filha dela, e ainda brincarem com o cadáver, agora falam em pegar a guarda do neto. É um absurdo. A última coisa que ela (Sônia) quer é uma aproximação com o Bruno", afirmou a advogada, que vai esperar o pedido judicial do goleiro para tomar providências.
Ainda de acordo com Maria Lúcia, a mãe de Eliza não quer dar continuidade ao processo de paternidade iniciado pela filha. "Ela não quer reconhecimento, alimentos, nada. A família tem condições emocionais e financeiras de criar o bebê. Ele pode requerer, é um direito dele, mas vamos contestar. Ele teria que ter condições mínimas para isso", disse.
Segundo ela, Sônia está em tratamento psicológico para se recuperar do trauma da perda da filha e ajudar Bruninho quando ele crescer. "Imagina como vai ser a reação desse menino quando souber a sua origem?", afirmou a advogada.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

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