Fernanda foi levada na tarde deste domingo à maternidade Octaviano Neves, em Belo Horizonte
Foto: Daniel Iglesias/Futura Press
- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
Presa desde a última quinta-feira, Fernanda Gomes Castro, 31 anos, amante do goleiro Bruno, passou mal e teve sangramento neste domingo na Penitenciária Feminina Estevão Pinto, no bairro Horto, região leste de Belo Horizonte. Ela foi conduzida por volta das 15h15 para o Hospital Octaviano Neves, onde permanece em observação até segunda-feira, segundo a Secretaria Estadual de Defesa Social de Minas Gerais (Seds). Exames previstos para serem divulgados amanhã devem apontar se ela estava grávida e se sofreu aborto.
Em boletim divulgado no início da noite, o hospital informou que Fernanda comunicou atraso menstrual de 7 a 8 semanas e cólicas intensas na região púbica. Uma ultrassom de urgência constatou útero com tamanho aumentado na paciente. Ela sofreu sangramento vaginal com a presença de coágulos, segundo a nota assinada pelo ginecologista Ataide Lucindo Ribeiro Júnior.
Questionado pela imprensa se a amante estaria grávida, o médico disse que não pode confirmar a informação antes do resultado dos exames. "A gente não pode confirmar antes dos resultados dos exames, que saem amanhã. Pode ser gravidez, mas o diagnóstico também pode ser consequência de mudanças hormonais causadas por estresse", afirmou Ribeiro.
Ao chegar ao hospital com sua cliente, o advogado de Fernanda, Ércio Quaresma, disse que ela poderia estar grávida do atleta e ter sofrido um aborto. Acompanhada por uma agente penitenciária e uma auxiliar de enfermagem, a amante do goleiro chorava muito na entrada da maternidade e não quis confirmar a informação sobre a suposta gravidez.
Antes do boletim do hospital e da entrevista do médico, Quaresma já havia informado que ela havia sido submetida a um ultrassom, e, em segudia, a uma curetagem - procedimento médico para retirar material placentário ou endometrial da cavidade uterina. No entanto, o defensor não deu detalhes sobre os procedimentos. Apenas reafirmou que a amante do goleiro permanecerá em observação até segunda-feira.
No dia em que foi presa, na última quinta-feira, Fernanda já havia passado mal dentro de uma viatura da Polícia Militar. No percurso até a penitenciária, segundo os agentes penitenciários, o veículo precisou ser parado a pedido dela.
Na sua conta no Twitter - rede de microblogs -, o advogado de Fernanda, que a acompanhou ao hospital neste domingo, postou uma frase na qual agradece a atenção do Secretário de Defesa Social, que autorizou a saída de sua cliente. "Obrigado Dr. Genilson e funcionários da Penitenciária Estevão Pinto pelo humanismo que tiveram com minha cliente Fernanda", escreveu. Inicialmente, ela seria atendida dentro do presídio. No entanto, por causa da falta de equipamentos, foi liberada para ir até o hospital.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que estão presos, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, aguarda decisão do Juizado de Menores e pode pegar até três anos de internação.
- Especial para Terra

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