Caso Goleiro Bruno
 
 

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 Sanguinetti quer avaliação mental de menor primo de Bruno
07 de agosto de 2010 15h38 atualizado em 08 de agosto de 2010 às 00h36

A estudante paranaense Eliza Samudio, 25 anos, está desaparecida desde a noite de 25 de junho. Foto: Reprodução

A estudante paranaense Eliza Samudio, 25 anos, está desaparecida desde a noite de 25 de junho
Foto: Reprodução

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

O perito George Sanguinetti, contratado pela defesa do goleiro Bruno para realizar laudos paralelos sobre o desaparecimento de Eliza Samudio, afirmou que pretende pedir uma avaliação psicológica do menor J., 17 anos. Primo do jogador, o jovem relatou em julho detalhes da suposta execução da ex-amante do goleiro, mas, em juízo, acabou dizendo que não presenciou o crime. Sanguinetti também fez parte da equipe de peritos contratados pelo casal Nardoni e que analisou as causas da morte da menina Isabella Nardoni

Sanguinetti disse que vai se reunir terça ou quarta-feira com Zanone Manuel Junior, advogado do Bola, e com Érico Quaresma, advogado do Bruno. "Ele é uma pessoa de temperamento instável, com tendência a fantasia, com antecedentes, e precisa de uma avaliação mental mais criteriosa", disse o perito em relação ao adolescente.

Como a juíza aceitou a denúncia e todo os réus têm 10 dias para apresentar a defesa, o primeiro passo, segundo Sanguinetti, é refazer algumas perícias. O perito quer verificar se o exame de DNA de J. foi realizado de forma correta, já que a saliva do jovem foi colhida de um copo de água que ele bebeu na polícia, sem sua autorização. Sanguinetti afirma ainda que vai questionar um exame feito com um fio de cabelo encontrado no sítio do goleiro. Segundo o perito, se o material não apresentar o bulbo não serve para o DNA. Para Sanguinetti, o inquérito é pobre de provas técnicas e se sustenta apenas no depoimento do adolescente.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo. No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que estão presos, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, aguarda decisão do Juizado de Menores e pode pegar até três anos de internação.

Especial para Terra