O goleiro Bruno, preso pela suposta morte da ex-amante Eliza Samúdio, raspou a cabeça no presídio de Contagem
Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura Press
- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios (DIHPP) da Polícia Civil em Belo Horizonte, encaminhará nesta sexta-feira para o promotor Gustavo Fantini, do Ministério Público de Contagem, na região metropolitana, o inquérito que apura o desaparecimento e suposta morte de Eliza Silva Samudio, 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno.
Segundo informou uma fonte ligada às investigações, no relatório escrito por Moreira "estão faltando somente as assinaturas das autoridades policiais" envolvidas. O delegado deverá indiciar o goleiro pelos crimes de sequestro, cárcere privado e homicídio. Para Moreira, não há dúvidas que o atleta é o mandante do crime.
Mesmo sem o corpo ou partes dele terem sido encontrados, o delegado relatará no inquérito que as provas testemunhais e também técnicas indicam que Eliza teria sido morta pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que será indiciado por homicídio e ocultação de cadáver.
Como provas testemunhais o delegado se baseará nos depoimentos dos primos de Bruno, principalmente. O adolescente de 17 anos, que foi apreendido na casa do goleiro no Rio de Janeiro, é para a polícia quem mais fielmente descreveu todos as cenas que envolvem o crime, desde o sequestro dela no dia 4 de junho até a morte, no dia 9 de junho. O fato dele ter mudado o depoimento na última vez que foi ouvido, durante acareação no DIHPP, não alterará o relatório policial. O depoimento dado pelo jovem na Vara da Infância e Juventude de Contagem será anexado ao inquérito.
Outro depoimento que a polícia tomará como primordial é o de Sérgio Rosa Sales, o Camelo, que afirmou durante três vezes ter visto Eliza no sítio de Bruno, em Esmeraldas, e também visto ela sendo levada pelo menor e por Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, na noite do dia 9 de junho, para a casa de Bola, em Vespasiano, onde ela teria sido estrangulada. Sérgio narrou com detalhes, nos depoimentos, diálogos entre Macarrão, Bruno e o menor logo após Eliza ter sido morta.
Além do laudo do Instituto de Criminalística de Belo Horizonte, que atestou a presença do sangue de Eliza no carro de Bruno, apreendido no dia 8 de junho, a polícia vai anexar ao inquérito relatórios com o cruzamento de ligações telefônicas feitas entre os suspeitos, principalmente Bola; dados dos deslocamento do jipe Range Rover do goleiro registrados em GPS; arquivos do computador pessoal de Eliza nos quais foram gravadas conversas dela com amigas relatando ameaças; e também dados de arquivos periciados pelo IC encontrados em um computador de Macarrão, que também deverá ser indiciado pelos crimes de sequestro, cárcere privado e homicídio.
No relatório que será encaminhado para o MP, o delegado Edson Moreira descreverá a participação de cada suspeito no crime. A ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, 23 anos, será indiciada por ter tentado esconder o filho de Eliza, o bebê de cinco meses, logo que a polícia recebeu denúncias da morte dela, e também pelo fato de ter colaborado com os suspeitos ao não denunciar o sumiço da jovem.
Fernanda Gomes Castro, 31 anos, uma das namoradas de Bruno, também será indiciada por participação no sequestro de Eliza. Ela disse em depoimento que cuidou do bebê quando ele e Eliza estavam na casa do goleiro no Rio de Janeiro, entre os dias 4 e 5 de junho.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.
- Especial para Terra




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