Bruno ficou em silêncio na audiência e deixou o juizado sorrindo
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra
O advogado de Bruno, Ércio Quarema, disse que o sorriso dada pelo goleiro Bruno, na semana passada, quando ele deixava a Vara de Infância e Juventude, em Belo Horizonte, é porque ele está confiante que será absolvido. O jogador está preso na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), pela suspeita de envolvimento no desaparecimento da sua ex-amante Eliza Samudio, 25 anos. A estudante está sumida desde o dia 4 de junho.
"Enquanto não tiver corpo, Eliza não pode ser considerada morta. Ele (Bruno) riu porque sabe que não será condenado, apesar de ter sido chamado de assassino quando deixava o juizado. Ele está tranquilo porque sabe que tem como seu advogado o maior de todos que é Deus, e depois, eu", disse Quaresma.
Quaresma ainda explicou que incluiu Eliza na lista de testemunha do goleiro por acreditar que ela esteja viva. O atleta e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, foram denunciados pelo Ministério Público do Rio por suspeita de terem, em outubro do ano passado, sequestrado, agredido e obrigado a jovem, então grávida de cinco meses, a tomar remédios abortivos. Eliza dizia que o bebê é filho de Bruno.
Luiz Carlos Samudio, pai de Eliza, condenou a estratégia de defesa adotada pelo advogado. "É vil a maneira como está conduzido o caso. Infelizmente temos a certeza de que ela (Eliza) está morta. A minha filha nunca abandonaria o filho, até porque ela tinha um trauma de infância por ter sido abandonada pela mãe. Toda essa carência, ela transferia para o filho. Era uma excelente mãe. Não deixava a criança com ninguém e tinha medo que o Bruno quisesse tirar o filho dela", disse Luiz Carlos.
"Tudo isso que o Quaresma está inventando é para tumultuar e desqualificar a investigação. Ele deve ter um problema psicológico. Tem uma estratégia de trabalho muito baixa. Todos temos direito à defesa, mas não se deve tripudiar do sofrimento alheio desse jeito", disse o pai, que pretende processar o Estado do Rio.
"Estou coletando documentos e estudando a possibilidade de denunciar a inércia do Estado brasileiro por não ter garantido a segurança de Eliza. Se ela tivesse recebido proteção quando pediu, se a lei tivesse sido cumprida, ela ainda poderia estar viva e o goleiro do Flamengo estaria jogando feliz no canto dele", disse o advogado da família Samudio, Sérgio Barros da Silva.
O pai de Eliza pretende ainda encaminhar um documento para a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, a chamada Convenção de Belém do Pará, adotada em Sessão Plenária da OEA, em 1994, e ratificada pelo Brasil em 27 de novembro de 1995. Esse também foi um recurso usado por Maria da Penha Maia Fernandes, que sofreu duas tentativas de assassinato, tendo o marido como autor. Sua luta deu origem à lei Maria da Penha, na qual aumentou o rigor das punições às agressões contra a mulher, quando ocorridas no ambiente doméstico ou familiar.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

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