Caso Goleiro Bruno
 
 

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 MP-RJ: defesa de Bruno listou Eliza e Zico para tumultuar
28 de julho de 2010 19h20 atualizado às 23h39

Goleiro Bruno chega algemado ao Departamento de Homicídios, em Belo Horizonte. Foto: Eugênio Moraes/Agência Estado

Goleiro Bruno chega algemado ao Departamento de Homicídios, em Belo Horizonte
Foto: Eugênio Moraes/Agência Estado

O Ministério Público do Rio de Janeiro informou nesta quarta-feira que vai contestar a lista de testemunhas apresentadas pela defesa do goleiro Bruno Souza no processo do suposto sequestro e lesão corporal contra Eliza Samudio em outubro de 2009, no Rio de Janeiro. Entre as testemunhas, os defensores do atleta indicaram sua ex-amante Eliza (considerada morta pela polícia de Minas Gerais), seu pai, Luiz Carlos Samudio, o atual diretor de futebol do Flamengo, o ex-jogador Zico, a presidente do clube, Patrícia Amorim, e os ex-jogadores da equipe Vágner Love e Adriano, ambos no exterior.

De acordo com o promotor Eduardo Paes, a defesa não indiciou o motivo pelo qual relacionou "pessoas que nada tem a ver com o caso", como jogadores que estão fora do País. "É uma tentativa de procrastinar, tumultuar (o processo)", disse.

Em outubro do ano passado, Eliza, que dizia ter um filho com o atleta, afirmou em denúncia que foi agredida por Bruno, seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e mais duas pessoas, e obrigada a ingerir uma substância que pode ser encontrada em alguns tipos de medicamentos e também em plantas abortivas, conforme laudo da polícia sobre o exame de urina de Eliza.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) confirmou que foi aceito o pedido de quebra de sigilo telefônico de Bruno e Macarrão, ambos presos em Minas Gerais por suspeita de envolvimento no desaparecimento de Eliza. O Ministério Público havia solicitado o procedimento para os aparelhos utilizados por Bruno e Macarrão nos dias 12 e 13 de outubro.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

Redação Terra