Sérgio Sales, primo de Bruno, é conduzido para acareação com o menor que admitiu ter participado da execução de Eliza
Foto: Alex de Jesus/Futura Press
- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
Com a autorização do juiz Elias Charbil, a Polícia Civil de Minas Gerais fará, na tarde desta terça-feira, a primeira acareação com o menor, primo do goleiro Bruno, que contou detalhes da suposta execução de Eliza Samudio. O escolhido pelo Departamento de Investigações de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) foi Sérgio Rosa Sales, o Camelo, que teria acompanhado Bruno e seu amigo Macarrão no sítio do jogador, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. O início da acareação está previsto para as 15h.
Sales chegou ao DIHPP acompanhado de seu advogado, Marco Antonio Siqueira, e de sua mãe, Angela Maria Rosa Sales. Segundo Siqueira, seu cliente está liberado para prestar esclarecimentos quando achar conveniente.
A polícia aguarda a chegada do adolescente, prevista para o início da tarde. Os investigadores podem realizar a acareação com qualquer um dos suspeitos, desde que os advogados estejam presentes assim como um representante legal para o menor.
O jovem foi apreendido na casa de Bruno no Rio de Janeiro, após seu tio dizer em uma rádio que ouviu do sobrinho relatos sobre como Eliza teria sido morta. Em depoimento, ele disse que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, estrangulou a mulher até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
Mais tarde, o advogado do adolescente disse que o jovem não relatou que viu a mão de Eliza ser jogada aos cachorros. Segundo ele, o adolescente não conhece Bola, nem levou os policiais à casa do ex-policial em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde a polícia acredita que ela tenha sido morta.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.
- Especial para Terra





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