Caso Goleiro Bruno
 
 

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 Ex-policial acusado de matar Eliza é suspeito de outra morte
21 de julho de 2010 13h08 atualizado às 13h13

Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, é suspeito de matar Eliza Samudio. Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura Press

Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, é suspeito de matar Eliza Samudio
Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura Press

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

A Polícia Civil informou na manhã desta quarta-feira que o ex-policial Marcos Aparecidos dos Santos, o Bola, é investigado por um homicídio acontecido em 30 de dezembro de 2009, no bairro Jardim da Glória, em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Bola é apontado pela polícia como o principal suspeito de matar e esconder o corpo de Eliza.

Segundo a polícia, a vítima do crime de 2009 é Bruno Marinho Marques dos Reis, que teria sido morto a tiros. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Vespasiano. A polícia não deu mais detalhes do assassinato.

Bola ainda é investigado por outros dois homicídios ocorridos em 2008 no sítio do qual é locatário em Esmeraldas, também na Grande Belo Horizonte. De acordo com as investigações, Bola e três policiais do Grupo de Respostas Especiais (GRE), tropa de elite da Polícia Civil de Minas extinta em 2009, abordaram dois homens em suposta atividade suspeita na região do sítio e os interrogaram. Segundo uma testemunha, as vítimas foram torturadas por cães rottweillers de Bola e mortos. Os corpos foram queimados e os restos espalhados no sítio. Em depoimento, os acusados negaram participação no crime.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

Especial para Terra